Especialistas apontam que as demências são uma condição grave de saúde pública, no qual é preciso proporcionar um ambiente adequado para os pacientes. De acordo com fisioterapeuta Christiano Barbosa, especialista em Gerontologia, a condição abrange vários tipos, como Alzheimer, demência por corpos de Lewy, afasia primária, demência frontotemporal, demência vascular e mistas. Para o especialista, ainda há muito estigma sobre o assunto, principalmente nas famílias que possuem pessoas nessas condições. “Isso vai aumentando cada vez mais o preconceito”, observou. “Um outro ponto é que esse preconceito, esse estigma, vem muito também pelo desconhecimento dessa condição”, pontuou.
Conforme Christiano, comemorações como aniversários, festas de comunidades e confraternizações em família podem ser momentos difíceis para pessoas que possuem demência. “As pessoas podem ficar agitadas, se sentirem mais confusas, porque é um ambiente com muita informação”, falou. “Para a gente levar uma pessoa ou fazer algum tipo de festividade no próprio ambiente, isso tem que ser muito pensando. E falar com as pessoas que vão participar desse evento, ou seja, os visitantes, que determinada pessoa vive com a condição. Porque ela pode ficar mais agitada ou ficar mais prostrada, justamente porque está tendo uma mudança naquele ambiente que ela vive”, explicou o fisioterapeuta. “A gente tem que proporcionar sempre um ambiente tranquilo, ou seja, não sair daquela rotina que a pessoa já vive”, frisou.
Barbosa ainda esclareceu que é possível identificar que uma pessoa com demência está cansada de estar em um ambiente conforme o comportamento dela. Segundo o especialista, a pessoa pode ficar sudoreica, agitada ou prostrada. “Cada pessoa vai reagir de uma maneira, mas qual é o marcador que algo não está bom? Ela mudar o comportamento usual dela. Isso, quem vai saber melhor, é justamente quem convive com ela, quem convive com a pessoa que vive com demência”, afirmou. O fisioterapeuta destacou que um simples evento pode atrapalhar todo um cuidado que vem sendo realizado há anos com a pessoa que possui demência. “A mudança de rotina pode acarretar impactos desfavoráveis”, reforçou. O especialista participou de entrevista no Ponto de Encontro e detalhou mais sobre o tema. Confira:
O fisioterapeuta ainda pontuou quais são os principais erros que as famílias cometem ao lidar com pessoas que possuem demência. Segundo Barbosa, o principal deles é quando a família tenta confrontar. “A pessoa teimar com alguém que vive com demência pode acabar acarretando maior agitação, mais confusão com essa pessoa. Então, assim, se você é cuidador, você não vive com demência, você sabe que a pessoa vive com aquela condição, o importante é a gente tentar fazer com que as relações sejam mais tranquilas”, falou. De acordo com o especialista, muitas pessoas descobrem uma demência quando o caso já está mais avançado. “Um familiar fica discutindo determinadas questões sobre esquecer alguma coisa e fica brigando como se a pessoa não tivesse uma condição que tem um prejuízo na memória. Então, o maior erro dos familiares é não buscar um conhecimento sobre essa condição”, refletiu.



































