A campanha do Julho Amarelo reforça a conscientização sobre as hepatites virais, a prevenção, diagnóstico precoce e as opções de tratamento. De acordo com a doutora Monica Junkes, médica infectologista, muitas pessoas têm a doença e ainda desconhecem. “A gente sabe que, enquanto eu não sei que tem uma doença, eu não posso tratá-la”, observou. Conforme a especialista, atualmente é possível tratar uma hepatite viral com grande chance de cura. “Por isso que é muito importante a gente falar sobre o tema e orientar as pessoas a procurarem fazer o diagnóstico, procurarem o posto para, quanto antes a gente tratar, menos evolução para uma doença mais grande, cirrose ou câncer de fígado, por exemplo”, salientou.

A doutora Monica pontuou que ainda existe certo estigma com relação às hepatites virais. Isso porque algumas pessoas têm a visão errônea de quem possui a doença são usuários de drogas ou pessoas promíscuas. Porém, essa não é a realidade. “A hepatite é uma inflamação do fígado por um vírus específico. Então a gente tem cinco tipos de vírus específicos, que são os que a gente chama atenção nesse mês de Julho Amarelo”, falou. Conforme a infectologista, o vírus vai afetando o fígado com o passar do tempo, desencadeando uma cirrose, por exemplo. “Quando o fígado não funciona direito, a gente começa a ter muitos sintomas, porque o nosso fígado é muito importante para fatores de digestão, de coagulação do sangue. Então, para vários processos metabólicos do corpo, o fígado é importante”, explicou.

Monica esclareceu que as hepatites A e E são causadas por transmissão fecal-oral, ou seja, através de água ou alimentos contaminados. A contaminação também pode ser via sexual. A transmissão das hepatites B e C são principalmente por contato do sangue ou de secreções ou fluídos corporais, ou seja, na relação sexual. “Beijar, abraçar, tomar no mesmo copo, comer no mesmo talher, isso não causa, na verdade, hepatite”, pontuou. “A gente sempre orienta para ter objetos de uso pessoal, principalmente nas hepatites B e C. Por exemplo, alicate de unha, tesourinha de unha, lâmina de barbear. Em todos esses objetos pessoais pode ficar um pouquinho de sangue. Então a gente sabe que isso é um objeto de uso pessoal, porque pode ser um veículo de transmissão da doença B e C, inclusive também transmissão sexual”, reforçou. O assunto foi abordado em entrevista, saiba mais:

 

Segundo Monica, todos os tipos de hepatite atingem o fígado, não existindo uma pior do que a outra quando se trata de hepatite crônica. As hepatites B e C têm uma evolução com mais de seis meses de doença. Conforme a especialista, a hepatite A é mais tranquila, sendo caracterizada como se fosse um quadro de virose. “A gente sabe que ela tem menor proporção de complicações graves”, disse. “Já a B e a C, se a gente não barrar esse estágio, elas podem evoluir para, sim, uma cirrose grave e também para câncer de fígado”, acrescentou. “Se eu fizer o diagnóstico precoce, a doença pode não evoluir”, pontuou.