A prefeita de Urussanga, Stela Talamini, se posicionou a respeito do possível fura-fila que teria ocorrido no setor da saúde do município. Em entrevista para o Comando Marconi desta quarta-feira, dia 26, Stela mencionou que o fato tem gerado um certo transtorno, pois não abala só a prefeita, mas abala a todos os funcionários da prefeitura. Segundo a chefe do executivo, a sindicância para averiguar a irregularidade está sendo realizada e conduzida por três servidores efetivos do município que formam uma comissão para avaliar o que ocorreu de fato.
Segundo a prefeita, a data oficial que ficou sabendo do que se tratava foi na semana pós-carnaval, dia 6 de março, em um encontro com o ex-assessor parlamentar do MDB na Câmara de Urussanga. “Quando eu tomei conhecimento dessa possível irregularidade? Foi no dia seis do três, que foi logo depois do carnaval, era uma quinta-feira. Através do Luciano [ex-assessor parlamentar do MDB]”, lembrou.
Stela ressaltou que as possíveis provas foram recebidas por integrantes do governo e que estão com o setor jurídico da prefeitura, porém não foram avaliadas por ela. “Olha, foi entregue ao jurídico. Eu mesma não avaliei, eu mesma não fiz uma leitura, até porque o que acontece dentro da saúde, a regulação, tudo, eu também não tenho a clareza ainda. Então, foi encaminhado para o jurídico. O jurídico que observou, eu acredito que ainda está avaliando. Acredito agora que a comissão deva solicitar”, afirmou.
“Eu acho que, quando há suspeita, alguém vai avaliar, alguém vai pegar tudo isso e, de forma muito precisa, tranquila, vai conduzir esse processo. Eu posso até olhar essa papelada e eu posso achar que tem coisa de mais ou tem coisa de menos. Então, como eu falei, na saúde há todo um passo a passo quando existe uma indicação do médico para que a pessoa vá para um especialista. Se tu me perguntares hoje, eu não sei se vai para a esquerda ou se vai para a direita. Então, eu deixo isso para quem é da área e para o jurídico avaliar essa questão”, alegou.
Cronologia dos fatos segundo a prefeita Stela
A prefeita relatou, durante a entrevista, como ocorreram os acontecimentos até saber que se tratava de uma denúncia de fura-fila. “Eu estava em Brasília, meados de fevereiro, e recebi uma mensagem da pessoa que fez a denúncia, pedindo para conversar, mas que poderia ser na semana seguinte, de forma muito tranquila. Eu fiquei de dar um retorno; acho que foi isso que eu combinei. Só que, na semana seguinte, quando cheguei de Brasília, tínhamos uma demanda muito grande de tarefas e encaminhamentos. Então, aquela semana foi muito intensa”, falou.
“No início da outra semana, a mesma pessoa encaminhou, por e-mail, um pedido para conversar comigo. Nesse e-mail, tratava de um assunto relacionado à saúde, mas, em nenhum momento, a pessoa externou ali qual seria o problema. Bom, veio pelo e-mail, tratava-se de um assunto importante. Eu dei um retorno, acho que um ou dois dias depois, marcando para conversarmos. E, até quando fiz esse contato por WhatsApp, sinalizei para fazermos a reunião numa segunda-feira. Era segunda-feira de carnaval; eu até não me atentei para isso. A pessoa disse: ‘Bah, eu estou indo viajar.’ Eu respondi: ‘Sem problema, marcamos para depois do carnaval’”, complementou.
“Tudo bem até aí, de forma muito tranquila. Havia um sentimento da pessoa de querer nos relatar uma situação, mas tudo caminhando sem nenhuma urgência extrema. Bom, marcamos, então, para depois do carnaval. Eu atendi a pessoa, que veio me trazer essa notícia — um ex-funcionário da Câmara de Vereadores. Bom, recebi o comunicado, manifestei minha preocupação e considerei a situação bastante grave. Mas, até aí, era apenas uma denúncia. Depois, seria necessário fazer as investigações. Uma coisa é aquilo que você está sabendo, aquilo que acredita que possa estar acontecendo”, narrou.
“Bom, perguntei se havia provas. A pessoa disse que sim. Pedi para encaminhar. O material foi enviado ao setor jurídico no dia seguinte — isso era uma sexta-feira. Na sexta-feira, dia 7 de março, essas possíveis provas chegaram e foram encaminhadas ao jurídico, que ficou responsável por avaliar e analisar”, sintetizou.
A prefeita destacou que aquela sexta-feira foi um dia cheio de compromissos e reservado para terminar de elaborar os documentos do Tribunal de Contas, mas deu atenção para o fato. “Só que, mesmo assim, na sexta-feira, eu chamei o ex-secretário. Eu indaguei se houve, se foi facilitado a vida de alguém na fila das consultas. Eu indaguei. Até porque eu não tinha avaliado, e nem o jurídico ainda, aquilo que nós tínhamos recebido. Bom, isso era final do dia. A pessoa, o ex-secretário, ficou muito indignado. Posteriormente, ele mandou, encaminhou um documento, ele exigindo uma investigação. Está no direito dele”, ressaltou.
De acordo com a gestora municipal, caso o secretário não tivesse pedido exoneração por conta do concurso que passou e se os documentos avaliados constatassem que poderia haver irregularidades, a exoneração do secretário deveria acontecer. “No mesmo período a administração tratava de outro assunto, que era a saída do secretário. O secretário havia passado no concurso e isso já vinha sendo trabalhado a saída dele, por questão de concurso. Então, não é que a prefeita não tirou. Já vinha sendo tratado toda uma exoneração que ia ser feita por conta do concurso que ele passou. E nós já estávamos tratando dessa situação. E, na segunda-feira [lê-se 10 de março], essa exoneração aconteceu. Já estava prevista. Mas ele ainda acabou adiantando. Bom, a prefeita ia exonerar. Nós iríamos avaliar a documentação. E, diante da documentação, se haviam indícios fortes de que isso acontecesse, essa exoneração ia acontecer. Ela iria acontecer. E, no final daquela semana, foi feito um pedido para instaurar uma sindicância. Na segunda-feira, a exoneração já tinha acontecido”, explicou Stela.
Sobre a equipe de governo ter conhecimento da denúncia de fura-fila antes dela, a prefeita ressaltou que há a comunicação do ex-assessor parlamentar que gostaria de falar com ela. E que entende que é o que a equipe também sabia. “Eu fui comunicada que ele queria conversar comigo. O que chegou, também não posso agora responder de imediato tudo o que receberam. Mas o que chegou aí, penso que foi aquilo que foi me passado, e que ele gostaria de falar comigo, que tinha uma situação de saúde para tratar. Um problema na saúde. O problema da saúde surgiu nos últimos dias. Queria tratar comigo sobre questão, uma questão da saúde. Como a gente sabe, como todo mundo sabe de conhecimento, que a esposa está lá, eu no primeiro momento até me permiti pensar que pudesse ser alguma coisa particular, né? Mas não vem ao caso agora”, argumentou.
Para prefeita Stela o tempo de recebimento da denúncia por ela até a instalação da sindicância não foi demorado. “E, dentro de uma semana, foi instaurada a sindicância. Eu não considero que o período entre a denúncia e a sindicância de uma semana é algo demorado. Eu até considero que andou muito rápido. Porque você também não pode fazer alguma coisa baseada em uma denúncia que não tem, talvez, uma procedência real para aquilo acontecer. Mas, de qualquer maneira, o servidor, o secretário, já estava afastado. Se havia alguma irregularidade, ali se estancou o problema. A nossa missão era não deixar o problema acontecer, se perpetuar”, considerou.
Abertura da Sindicância
A prefeita de Urussanga esclareceu que a abertura da sindicância sobre o caso fura-fila foi um pedido estritamente dela, pois foi uma ação do Executivo municipal após saber que há possíveis provas. “Tem que ser do Executivo. Ele [ex-secretário] até pode ter sugerido, talvez no sentido de ele — ‘Não, eu estou me achando injustiçado, eu que quero que faça.’ Mas a abertura da sindicância compete ao Executivo. Não pode ser outra pessoa. Tem que ser eu.” E que, mesmo que o ex-secretário não tivesse sugerido a sindicância, a prefeita teria pedido a abertura. “Qualquer coisa que aconteça de irregularidade e que seja um fato a ser apurado tem que passar por uma sindicância. São procedimentos que ocorrem dentro da gestão pública. E isso acontece com esse fato. Pode acontecer se teve alguma desavença, alguma gravidade entre dois funcionários, ou um funcionário, de repente, que não está correspondendo com o trabalho dele. Qualquer irregularidade, é feita uma sindicância.”, enfatizou.
Ainda de acordo com as palavras da prefeita urussanguense, a comissão formada para apurar as possíveis irregularidades é composta por três membros com total autonomia para a avaliação dos fatos. “Eles não são funcionários que são indicação política, que alguém poderia dizer que estariam refém de um partido, de uma indicação. Eles são efetivos. Então, eles têm um papel fundamental nesse trabalho. Eu acredito, eu confio. “Eles têm autonomia, vão ter isonomia — acredito muito nisso — para tratar desse assunto. Lá na frente, se procede, segue para processo judicial; se não procede, arquiva-se. Então, é um trabalho que, agora, temos que deixar que eles façam com muita serenidade”, frisou.
Em relação a algumas especulações geradas de que o caso estaria sendo abafado pela gestão, Stela explicou. “Então, não é que nós queremos abafar, não é isso. Mas nós queremos tratar tudo com muita tranquilidade, tratar tudo com muita transparência para que as coisas se resolvam. E lá no final, doa quem doer. Se houver irregularidade, que seja punido quem fez essa irregularidade”.
A prefeita de Urussanga, Stela Talamini, concedeu entrevista para o programa Comando Marconi desta quarta-feira, dia 26. Confira abaixo:
Desacato
A chefe do executivo trata como falácias dizer que não foi dada atenção necessária às servidoras que foram desacatadas por um paciente em uma unidade de saúde, no dia 17 de março. “Eu acredito que foi em uma segunda-feira. Eu estava em uma reunião, e eu tenho mantido a agenda. Eu estava em uma reunião, uma reunião que estavam 10, 12 pessoas. Chegou uma notícia que havia um indivíduo, um cidadão, em um posto de saúde, e que estava desacatando as nossas funcionárias, e que a polícia havia sido acionada. Imediatamente eu pedi para o chefe de gabinete e pedi para o assessor jurídico se retirar da reunião e ir atender. Eles foram lá, eles são funcionários públicos. E eles foram lá para atender a funcionária pública. E de nenhuma forma foram lá para atender o cidadão que estava lá ofendendo, agredindo, desacatando e desrespeitando quem estava lá. Isso é algo que, analisando a posição de quem foi e a posição de quem estava lá, um funcionário público não sairia do seu lugar para ir lá defender um cidadão que não tem nada a ver com a administração pública. Foram lá, quando chegaram lá já haviam sido feitos dois B.Os, as coisas já estavam se acalmando, a secretária também estava chegando lá e a secretária deu também a atenção que precisava. Eles foram lá para conduzir aquela situação, para acalmar, para retirar aquela pessoa de lá. Então, houve uma ação muito rápida da gestão para que aquele fato, para aquela ocorrência, ela se apaziguasse”, apontou.
Stela disse não ter falado com as servidoras que sofreram os desacatos, contudo, ressaltou que, antes de ela ser acionada sobre casos semelhantes, é chamado o responsável pelo departamento, que, nesta situação, seria a secretária de Saúde, que esteve no local. “Antes de mim, existe uma secretária. Então, se há uma ocorrência, chama-se primeiro o chefe do departamento, chama-se a secretária, que está acima disso. Eu sou comunicada. Então, existem pessoas que têm autonomia, que têm a capacidade de ajudar a resolver os problemas. O que cabe à prefeita, depois disso, é dar conta do que aconteceu. E isso foi feito. A secretária esteve lá mais algumas vezes, conversou com os demais funcionários. No dia seguinte, nós estávamos com três funcionários de atestado médico, que estão até hoje. Então, essa história de que não foi dada a devida atenção não procede”, contestou.
Stela explicou ainda o motivo do paciente que supostamente estaria sendo beneficiado pelo fura-fila estar dentro do espaço da prefeitura. “É uma pessoa que circula lá. Não porque ele se sinta à vontade de estar lá e adentrar nos gabinetes. Depois desse episódio, ele esteve na prefeitura.
E diferente do que muitas pessoas têm postado em rede social, ele não esteve lá a convite de prefeita, a convite de ninguém. Ele adentrou a prefeitura e ele esteve num gabinete. Não porque tenha sido convidado, não porque ele se sinta protegido, não porque a prefeitura ou a prefeita esteja lá para dar amparo e apoio. Isso não existe! É um descabimento. Uma pessoa que esteve lá desrespeitando as nossas funcionárias entrar numa prefeitura por ter sido convidado para estar lá.
Isso não existe! Agora, o cidadão circula na prefeitura? Circula. Vai lá, é um espaço público, você não tem nem como dizer que não pode acontecer. Mas não porque está lá e porque se sinta protegido por alguém dentro da prefeitura. De forma alguma. Ele não é servidor da prefeitura, nós não temos responsabilidade nenhuma com ele. Temos com as nossas servidoras. Temos com os servidores da prefeitura e não com esse cidadão”, contextualizou.
A prefeita Stela disse estar tranquila quanto ao que foi realizado para averiguação dos fatos até momento. “Eu estou muito tranquila quanto a isso, quanto à questão dos passos que foram dados, dos procedimentos. A Estela e o Renato têm essa grande responsabilidade, esse grande compromisso de entregar para a cidade essa paz. Entregar essa paz para a cidade, eu considero que ela é tão importante quanto você abrir uma empresa, duas”.
Reforma Administrativa
Durante sua fala, a gestora da prefeitura de Urussanga contou que uma reforma administrativa está sendo realizada. ‘Nós queremos reorganizar toda a questão de cargos e as atribuições de cada cargo. Melhorar, principalmente, a distribuição dentro das secretarias. Nós temos secretarias, hoje, que estão bastante desfalcadas de funcionário. Outras que estão trabalhando a contento. A questão salarial também é algo que vai ser também trabalhado. Mas não é só isso. A gente, realmente, quer uma atenção muito especial para o funcionário público. Além de ter a responsabilidade que tudo seja feito com muita transparência e, ao longo desse mandato, as pessoas vão ver que isso vai acontecer”, disse.
Da Redação






































