Cólicas menstruais intensas não são normais. Elas podem indicar um problema que afeta cerca de 5 a 10% das mulheres: a endometriose. “É uma doença, onde eu tenho o endométrio, que é o tecido que tinha que estar exclusivamente no interior da cavidade uterina, em outros órgãos. Então, eu posso ter focos de endométrio em ovários, em trompas uterinas, em intestino, em bexiga, em diversos outros órgãos, tanto da região pélvica, quanto de outras partes, que é menos frequentes, mas que também pode acontecer no nosso organismo”, explica a ginecologista Bianca Bez Batti De Pellegrin.
Conforme a especialista, o principal sintoma é a cólica intensa. “A paciente tem então uma queixa, inicialmente, com cólicas leves, que vão progressivamente ficando piores”, explica. “Eu evoluo para uma dor que passa a ser o mês inteiro, não só mais na menstruação. Eu também começo a ter dor na relação sexual, dor quando vou ao banheiro”, complementa. No entanto, há casos de endometriose em que a paciente é assintomática. De acordo com a doutora, existem exemplos em que a paciente descobre focos de endometriose ao realizar uma cirurgia, como a de cesárea, ou até mesmo por conta da dificuldade de engravidar. O assunto foi destaque em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça mais:
Tanto para mulheres sintomáticas quanto para as assintomáticas, o diagnóstico é feito através de exames de imagem. “A gente pode fazer ultrassom com preparo intestinal, que é um ultrassom mais específico, mais sensível para a gente avaliar esses focos de endometriose, e também tem a ressonância de pelve, por exemplo. São os exames que a gente consegue visualizar focos, mas o padrão ouro mesmo é a videolaparoscopia, que é a cirurgia, é o momento que eu entro com uma câmara e visualizo os focos de endometriose dessa paciente”, esclarece a especialista.
A partir do diagnóstico, um dos principais tratamentos é a mudança de estilo de vida. “A gente tem a alimentação fundamental para essas pacientes. É importante que elas tenham um segmento, uma nutricionista, especialista também em saúde da mulher, para que eu tenha uma alimentação voltada para a paciente que tem endometriose, porque ela é uma doença inflamatória. Então, a minha alimentação pode piorar tudo isso quando eu tenho uma alimentação pró-inflamatória, ou ajudar, que é uma alimentação anti-inflamatória”, comenta. Além disso, também há o tratamento clínico, que pode ser feito dependendo de cada caso: com uso de comprimidos, dispositivo intrauterino (DIU) ou, em algumas pacientes, a cirurgia para retirar os focos da doença.
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