Diversas substâncias estão presentes no ambiente e em contato com as pessoas todos os dias. A longo prazo, essas substâncias podem causar problemas à saúde. Em entrevista, o doutor Guilherme Canever citou um exemplo prático de uma situação que pode ocorrer com todo mundo: a presença de remédios no organismo, que são eliminados pelo corpo e contaminam o solo e os mares através da água não tratada corretamente. O especialista contou que um estudou mostrou que, na Bacia de Santos, foram coletadas amostras de peixes que possuíam substâncias presentes em medicamentos como paracetamol e rivotril. “Acontece que isso a gente acaba comendo indiretamente, mas não é para assustar a população, mas sim para informar de que todo o nosso ambiente hoje é circundado por substâncias tóxicas”, afirmou.
Além desses produtos, há muitos outros que contam com substâncias que, com uma dosagem maior, são tóxicas, como os pesticidas. O doutor pontuou também sobre o uso de lâmpadas e termômetros com mercúrio, que já não são tão usados, mas que são altamente tóxicos. “Na época não se tinha um descarte adequado, aquilo ali era jogado no rio, era jogado em qualquer outro lugar, penetrava no solo e causava problema e, assim, os problemas que causam são os piores possíveis, não é uma dor de cabeça, é um câncer, problemas pulmonares crônicos, fibroses crônicas, ou seja, o pulmão não consegue mais ampliar para expandir, para respirar, então é muito triste isso”, explicou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Ponto de Encontro com o doutor Guilherme. Ouça:
Parte 01
Parte 02
Como especialista em medicina do trabalho, Canever também alertou sobre os problemas dessas substâncias no ambiente de trabalho. “Nós trabalhamos basicamente, obviamente, com as empresas e estabelecimentos comerciais. O médico do trabalho não trabalha sozinho, ele precisa junto com ele, sempre um técnico de segurança do trabalho ou um engenheiro de segurança do trabalho”, esclareceu. “Por exemplo, um engenheiro vai na empresa, ele identifica quais são os possíveis riscos dentro, faz as medições necessárias de produtos químicos, de ruído, de qualquer outro problema ergonômico que possa acontecer, e ele gera um documento. Depois, esse documento é encaminhado para o médico do trabalho, então eu analiso esse documento e identifico que tal funcionário vai estar exposto a tal substância e eu tenho que já saber o que essa substância poderá vir a causar de problemas de saúde nesse funcionário e, com isso, eu preciso implementar ações para que isso não aconteça”, complementou.
Para que aconteçam essas ações, o médico do trabalho precisa realizar exames no paciente com uma certa periodicidade. Segundo Guilherme, esses testes podem ser realizados a cada seis meses ou a cada ano, dependendo dos casos. “Para identificar se essa exposição está dentro dos limites para a pessoa, porque se passa disso, nós temos que tomar algumas decisões”, comentou. Conforme o doutor, uma das preocupações é com o benzeno, presente em tintas, vernizes e outros produtos químicos, como no combustível. “Hoje já se preconiza uso de máscaras, roupas especiais anti respingo, porque o benzeno, além da via respiratória, pode ser absorvido pela parte oculta e pela pele, claro que em quantidades diferentes”, avaliou.
Em entrevista, o especialista também falou sobre o uso das caixas d’água de amianto, muito utilizadas anos atrás, mas que algumas famílias ainda possuem ela em suas casas. “O amianto é extremamente tóxico. O amianto é extremamente perigoso, então já oriento que quem tenha caixa d’água de amianto que troque por aquela de plástico, porque a fibra de amianto causa problema pulmonar e câncer também”, afirmou. “Essa troca tem que ser com uma empresa também especializada, porque se quebrar a caixa na hora da troca, vai liberar a fibra de amianto no ar, então tem que ser um pessoal que venha, que desmonta de uma maneira segura, eles enclausuram a caixa para fazer a quebra e já levam ela lacrada embora, porque a água que você está tomando, a água que o seu filho está tomando, ela está naquele amianto ali”, alertou.



































