O Março Azul-Marinho é uma campanha mundial de conscientização e prevenção do câncer de intestino e câncer de colón. De acordo com o gastroenterologista Alexandre José Faraco, dados brasileiros indicam que esse tipo de câncer tem se tornado cada vez mais comum entre as pessoas. O problema é que a doença é diagnosticada de forma tardia, quando o câncer já está avançado. Isso acontece porque muitas pessoas não realizam o acompanhamento preventivo necessário, que é o exame de colonoscopia. “Se tu for fazer um raio-x de pulmão para ver se tem um câncer, ou tu tem ou não tem. No câncer de colón, não. No câncer de colón, quando tu faz o exame chamado colonoscopia, se tiver lesões pré-malignas, que são os pólipos, tu tirou a lesão, não vai ter câncer”, explicou o especialista. Por isso que a campanha Março Azul-Marinho reforça a importância do diagnóstico precoce através do acompanhamento médico. A recomendação é que pessoas a partir dos 45 anos de idade façam um exame de colonoscopia. “Se você fez o exame e não deu nada, você não tem que fazer todo ano. Dependendo do paciente, da genética do paciente, você vai fazer a cada 5, 10 anos”, contou.

O doutor Alexandre esclareceu que a colonoscopia é um exame rápido e indolor. Porém, o preparo para o exame é considerado desconfortável. “Você precisa fazer o preparo intestinal, que é tomando laxante em uma quantidade grande porque precisa limpar bem o intestino”, disse, acrescentando que o intestino precisa estar limpo para identificar possíveis lesões. “Geralmente o pessoal reclama que fica fraco, porque desidrata mesmo, principalmente pessoas mais idosas. Então tem que estar tomando muita água. No dia do exame, é necessário a sedação porque é um exame que dói. Por que dói? Porque tu injeta ar dentro do intestino, ele distende, dá tipo uma cólica”, pontuou. “Quando tu termina o exame, pode ser que tu tenha um pouquinho de desconforto, mas é só por causa do ar. Normalmente, 90% não tem desconforto nenhum”, afirmou Faraco. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o doutor no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra:

 

No últimos anos, cada vez mais pacientes jovens tem sido diagnosticados com câncer de colón também. “Pacientes de 20, 30, 40 anos com câncer e a gente não via isso até um tempo atrás”, comentou o doutor. Isso está associado a hábitos de vida, como sedentarismo, obesidade, consumo de álcool, tabagismo e alimentos super ultraprocessados. “Aquele alimento que a gente compra no mercado, bota no microondas e vai comer, ou então o chips da vida, que é ultraprocessado. Se a base da nossa alimentação é isso, nessa vida corrida que a gente tem, às vezes acaba acontecendo, isso predispõe também”, destacou. “São 50 mil casos por ano diagnosticados, 20 mil mortes por ano por câncer de colón. É muita gente, sendo que poderia ser prevenido”, alertou.

Os sintomas do câncer colorretal são silenciosos, por isso a necessidade de realizar acompanhamento médico. “Quais são os sintomas que têm que prestar atenção? Primeira coisa, quando vai fazer cocô, tem que olhar o seu cocô e analisar como que está o formato, como que está a característica; se tem presença de raio de sangue ou não; se está escuro, como se tivesse comido o carvão. Tudo isso são sinais de quem tem alguma coisa errada. Se você tem um emagrecimento que não está explicado, não fiz dieta, não fiz nada. Se tu tem uma anemia que não está explicado, que tu está comendo normal, mas está com anemia; se tiver dor abdominal; se tiver mudança do hábito intestinal, por exemplo”, citou.

Antes dos 45 anos, quando é indicado o início do acompanhamento através da colonoscopia, os pacientes costumam realizar a pesquisa de sangue oculto nas fezes. “O sangue oculto positivo tem as suas limitações, então não dá para se basear só nele. Então tu vai usar para triagem o sangue oculto nas fazes até os 45 anos. Depois dos 45 anos não precisa fazer mais, tu vai fazer a colonoscopia, aí a triagem sempre vai ser pela colonoscopia”, explicou o doutor. Além disso, Faraco salientou que pessoas que têm histórico familiar de câncer devem iniciar o acompanhamento 10 anos antes da idade do diagnóstico do parente. Por exemplo, se a mãe de um paciente foi diagnosticada com câncer colorretal aos 40 anos, o filho precisa fazer a colonoscopia aos 30 anos de idade.

O doutor Alexandre José Faraco atende na Policlínica da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Urussanga todas as quintas-feiras no período da manhã. O telefone para contato é o 48 3465-2248 e o WhatsApp é 48 99801-4747.