O Dia do Policial Civil e Militar foi lembrado nesta quinta-feira, dia 21 de abril. Responsáveis por zelar pela segurança pública, os policiais exercem importante papel no cotidiano da sociedade. Pensando em contar de perto o dia a dia do policial civil e de seu trabalho, o programa Ponto de Encontro recebeu o delegado Antônio Márcio Campos Neves, da delegacia da Comarca de Urussanga. Ouça a entrevista na íntegra:
Parte 01
Parte 02
O delegado Márcio é natural de Brasília, onde se formou em Direito. Passou em um concurso para policial penal federal e foi morar no Paraná, perto da fronteira com o Paraguai, durante dois anos. Márcio atua como delegado há quase 14 anos, que serão completados em setembro deste ano. Na Região Carbonífera, Márcio é muito conhecido pelos trabalhos que desenvolveu à frente da Delegacia da Mulher, da Criança e do Adolescente (DPCami), em Criciúma, por cinco anos.
Durante esse período, o delegado conta que houve várias situações que o marcaram, principalmente os casos que envolviam crimes de estupro contra crianças. Para Márcio, muito mais do que prender os abusadores e bandidos, a assistência às vítimas também é muito importante, seja psicológica, social e jurídica. “Quando a gente trabalha nesses casos a gente acaba, psicologicamente, ficando muito abalado também, por conta dos sofrimentos das vítimas. E pouco a vítima é cuidada nesse país”, comenta.

O delegado também leciona aulas de Direito Penal na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Márcio conta que a área é uma paixão sua desde quando começou os estudos na faculdade de Direito. O agente conta que existem dias e casos muito difíceis de lidar. “Tem dia que eu boto a mão na cabeça e falo assim: o que eu estou fazendo aqui? Quando eu trabalho em casos como esses de estupro, né? Meu Deus, isso não é para mim. Tem dias que a gente dá aquela caída. Só que o serviço, a gratidão que eu tenho, que eu sinto é o seguinte, trabalhar pela vítima, trabalhar em cima de um caso que um criminoso sem vergonha fez uma sacanagem, uma maldade contra outra pessoa, a gente se sente gratificado nesses momentos”, ressalta.
Outra situação que marcou o delegado foi quando ele estava investigando uma clínica clandestina de aborto. No caso, uma denúncia anônima informava sobre o funcionamento do local. Na investigação, o telefone da clínica foi grampeado e os agentes descobriram um caso de uma mulher que iria abortar. Com o apoio da assistência social, os policiais conseguiram dar apoio a essa mulher. Ela, desempregada, estava grávida de uma segunda criança, sua primeira filha ainda era pequena e o pai não pagava a pensão. Através da investigação, a assistência social conseguiu um emprego para a mulher, que possibilitou que ela alugasse uma casa e colocasse a filha na creche, além de fazer com que o pai pagasse a pensão. A partir daí, a Polícia Civil impediu que o aborto fosse realizado e que a mulher pudesse mudar de vida e a vida dos seus filhos.

Estrutura e funcionamento
Márcio explica que existem quatro cargos que são ocupados em uma delegacia de Polícia Civil: o delegado, que comanda a investigação, preside o inquérito e comanda a unidade; o escrivão, que trabalha na parte cartorária, também investigando na formalização de provas; o agente de polícia, conhecido como investigador; e um psicólogo, que acompanha as vítimas. Em regiões maiores, há delegacias especializadas, como as que trabalham somente com homicídios, furtos e roubos. Em Urussanga, por se tratar de uma comarca pequena, não há necessidade dessas áreas especializadas.






































