Há mais de cinco décadas, Venicius Sartor dedica sua vida profissional a consertar relógios e ajudar as pessoas a manterem seus compromissos em dia. Conhecido em Urussanga e em municípios da região, o relojoeiro construiu uma trajetória marcada pela experiência, pela precisão e pela relação de confiança com os clientes. Depois de uma passagem de muitos anos pela Relojoaria Nancy, ele está de volta à atividade, agora em parceria com a Ótica Visual. Venicius participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a sua história de vida e sua trajetória profissional. Ouça na íntegra:
Parte 01
Parte 02
Natural da comunidade de Rio Galo, em Cocal do Sul, Venicius cresceu em uma família numerosa, com 13 irmãos. Desde cedo, ajudava os pais nos trabalhos da roça, principalmente no cultivo de fumo. Aos 13 anos, começou a trabalhar como ajudante em uma oficina de chapeação, mas percebeu que gostaria de seguir outro caminho profissional. Sua relação com a relojoaria iniciou com a influencia de um tio, ainda enquanto trabalhava no ramo de chapeação. Depois de dois anos e meio atuando como ajudante com o parente, resolveu sair de sua atividade na oficina.
O início da trajetória em Urussanga ocorreu em 3 de fevereiro de 1968, quando começou a trabalhar na relojoaria Nancy, no mesmo local onde permaneceu durante décadas. A identificação com a cidade e com a comunidade foi um dos motivos para a escolha. Segundo ele, o ambiente acolhedor e a proximidade com as pessoas fizeram diferença ao longo da vida. “Eu gostava mais de Urussanga porque a gente conhecia todo mundo, cumprimentava todo mundo, é o povo mais hospitaleiro”, disse. “Lá em Criciúma já tu conhecia dois, três, mas o resto nem te cumprimentava. Eu não gostava disso, não me sentia bem”, falou.
No início, Venicius atuava mais no conserto de despertadores. “Ele (o tio) me explicava, ‘faz isso, faz isso, tira o balanço, tira a âncora, tira isso, aí você lava ele, monta ele e tal. Se tiver alguma peça estragada, você troca’. Isso eu levei acho que um ano”, falou. “Naquela época, quase todos tinham despertadores em casa. Hoje não, hoje não porque tem celular, tem televisão. Hoje é só para decoração, até a geladeira tem relógio”, comentou. Além disso, na época, eram comuns os relógios de pulso e despertadores que precisavam receber corda diariamente. Os consertos exigiam habilidade para desmontar, limpar e remontar mecanismos formados por pequenas peças, além de adaptar componentes quando não havia peças de reposição disponíveis.
Mesmo com os avanços tecnológicos, o profissional destaca que os serviços tradicionais continuam sendo procurados. Trocas de pilhas e pulseiras, além de reparos em relógios antigos, automáticos e de parede, seguem fazendo parte da rotina de trabalho. Em entrevista, Ayres Frozi, sócio-proprietário da Ótica Visual, falou sobre a nova contratação da empresa. “Muitas vezes o Venicius me ajudou também, muitas vezes eu tinha alguma emergência e tal, eu mandava para o Venicius e ele fazia para mim ou pegava o trabalho dele”, falou. Há alguns meses, Ayres soube que ele não estava mais trabalhando e resolveu o convidar para atuar na Ótica Visual. “O preço que o Venicius cobra é barato, vale a pena. Então a gente fez uma parceria e tal. Vamos se esforçar e convidar os clientes que sempre consertaram o relógio com o Venicius a ir ali”, acrescentou.

Acompanhe a entrevista também em vídeo:



































