Em alusão ao Dia Mundial da água, lembrado nesse 22 de março, o trabalho desenvolvido pelo Comitê da Bacia do Rio Urussanga ganhou destaque em uma entrevista especial na Rádio Marconi. Lara Possamai Wessler, atual presidente da entidade, explicou que o comitê é um lugar de debate construtivo e deliberativo, não tendo o poder de executar ações. “Ele está ali formado por 30 membros, 30 instituições, sindicatos, usuários da bacia, a população e também órgãos estaduais, para ter um melhor gerenciamento do recurso hídrico e, em momentos de conflito, também mediar”, esclareceu. O vice-presidente do comitê, Fernando Damian Preve Filho, destacou que a Bacia do Rio Urussanga compreende 10 municípios, tendo início em Urussanga com as vertentes do Rio Carvão e Rio Maior. A partir daí, a bacia é formada com afluentes de rios de Cocal do Sul, Criciúma, Içara, Morro da Fumaça, Pedras Grandes, Treze de Maio, Sangão, Balneário Rincão e Jaguaruna. Conforme Fernando, o Rio Maior é um afluente e possui água de boa qualidade antes de se tornar o Rio Urussanga. “Infelizmente, nós temos uma água que tem uma contaminação muito pesada”, afirmou.
Carla Cristina Possamai Della, engenheira responsável pelo tratamento de água no Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Cocal do Sul, relembrou que, anos atrás, o comitê finalizou um plano com vários diagnósticos, planos e diretrizes a serem seguidos. “Com o decorrer da situação, com o decorrer da política, com o decorrer do dia a dia, ele não conseguiu realmente se fazer valer da importância que tem”, disse. Carla, que já foi presidente do comitê, afirmou que, em muitos casos, a entidade é procurada pelas prefeituras para resolver um problema pontual. “O que falta ao poder público é entender a importância do comitê, a expertise que o comitê tem, porque são pessoas que realmente entendem o assunto, entendem da bacia, entendem por onde esse rio passa”, falou. “Aproveitar para enfatizar que o comitê está aberto, realmente, a debates, a conversas, a conselhos e não apenas corretivo. ‘Ah, deu uma enchente, vamos resolver’. Não, essa enchente ela pode até ser pontual, mas ela tem toda uma estrutura, ela tem toda uma história que chegou até aquele momento”, comentou.
Para Stéphano Diniz Ridolfi, representante do ICMBio-APA da Baleia Franca, houve avanços e retrocessos quando o assunto é a preservação da água. Porém, Stéphano acredita que a conscientização da população sobre o tema tenha crescido nos últimos tempos. “Quando a gente fala da população, não só das pessoas individualmente, é também do poder público em relação a essa importância da água, não só da água para se beber, mas da água como um todo”, disse, acrescentando que isso envolve também ao saneamento e a qualidade de vida e saúde das pessoas. “Por mais que nós tenhamos, no âmbito do comitê e em outros âmbitos também, esse desejo de que as coisas se resolvam mais rápido, eu acredito que, ao longo dos anos, tenha havido um pouco, de forma gradual, essa conscientização”, afirmou. “Eu sou esperançoso por natureza, mas eu tenho visto com bons olhos essa melhoria de conscientização de forma geral”, destacou ainda.
Yasmine de Moura da Cunha, professora de Geografia e integrante do comitê representando a Unesc, recordou que o comitê surgiu em 2006 por conta da necessidade de desassorear o Rio Urussanga. “É importante a gente pensar que, quando a gente pensa na Bacia do Rio Urussanga, não é só a água da chuva que verte, que se escorre pelos rios, mas também eu tenho sedimentos, eu tenho contaminantes que vão e seguem junto, são lixiviados pela água da chuva e que vão acabar no Rio Urussanga e nos seus afluentes e, com isso, traz contaminação do solo, do ar, da água. Então, a questão da bacia é de manter não só as águas, mas também o solo dela”, pontuou a professora. O programa Ponto de Encontro realizou uma entrevista especial com Lara, Fernando, Carla, Stéphano e Yasmine sobre o trabalho desenvolvimento pelo comitê e a importância da água. Ouça na íntegra:
Parte 01
Parte 02
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