As hemorroidas fazem parte da anatomia do organismo de todas as pessoas. Quando elas apresentam algum problema, o termo correto é doença hemorroidária. De acordo com a coloproctologista, doutora Denise D’Ávila Búrigo, há duas camadas de hemorroidas: as externas, que são localizadas junto a borda do ânus, e as internas, que são dentro do canal anal. A especialista exemplifica que as hemorroidas são como um “estofamento” cheio de vasos de sangue em seu interior que servem para proteger o canal anal durante a passagem das fezes. Existem alguns fatores que causam a dilatação deste “estofamento”, fazendo aumentar de tamanho e perder a sustentação.
Na parte interna, a pessoa não costuma sentir dores, sendo que o principal sintoma é o sangramento, começando a perder a sustentação, fazendo com que as hemorroidas saíam para fora da borda anal. Segundo Denise, existem quatro graus que classificam a doença hemorroidária interna. No primeiro grau, as hemorroidas estão aumentadas, sangram, mas ainda estão dentro do canal anal. No grau dois, elas começam a sair para fora da borda anal ao fazer esforço no momento da evacuação e retornam novamente para dentro. No grau três, a pessoa precisa empurrar para que elas voltem para dentro e no quarto grau ela já fica o tempo todo para fora da borda anal. É crucial que o paciente já procure um especialista a partir do momento que percebe que há sangramento, além da doença hemorroidária, o sangramento também pode indicar outro problema, como um câncer.
Já na parte externa, pode ocorrer uma trombose, devido ao esforço, como durante a gestação e até mesmo o esforço evacuatório. A coloproctologista Denise participou do programa Ponto de Encontro e explicou mais sobre o problema, quais as causas e tratamentos. Ouça na íntegra:
Parte 01
Parte 02
Parte 03
A doença hemorroidária pode estar associada ao fator genético. Além disso, fatores que aumentam a pressão dentro da barriga, como esforço físico em excesso, esforço crônico como a constipação, esforço evacuatório, diarreia, obesidade e gestação podem desenvolver a dilatação nas hemorroidas. Ficar muito tempo sentado no vaso sanitário também pede contribuir para o aparecimento do problema. “O nosso intestino tem que ser um relógio, a gente sente vontade de evacuar, vai ao banheiro e saí”, comenta Denise. Segurar constantemente a vontade de evacuar também pode causar a doença, já que o intestino pode entender que ele precisa trabalhar mais devagar.
“A alimentação manifesta como o nosso intestino vai funcionar, então quem tem maus hábitos alimentares vai ter algum prejuízo no seu intestino, alguma agressão, mesmo que ele funcione bem”, afirma. Por isso, uma alimentação rica em fibras e consumo diário de água podem auxiliar no bom funcionamento do intestino. A prática de exercícios físicos também contribui para que a pessoa vá ao banheiro adequadamente. Certos comportamentos alimentares podem irritar o canal anal e piorar os sintomas de quem já possui algum grau de doença hemorroidária. Como é o caso dos alimentos ultraprocessados, bebidas alcoólicas, doces, condimentos como a pimenta, as oleaginosas em excesso, como as nozes, castanhas e amendoins, além dos conservantes e corantes.
Além disso, a higiene correta após a evacuação também é recomendada. O ideal é que não sejam usados papel higiênico, e sim que a pessoa se lave com água e sabão ou que use lenços umedecidos, o que auxilia também nas queixas de coceira na região. A recomendação também segue caso a pessoa faça algum procedimento após a retirada das hemorroidas doentes. Em casos de procedimentos, o ideal é que a pessoa já procure um especialista já nos primeiros sintomas, já que o leque de modalidade de tratamento é maior, não sendo necessário a realização de uma cirurgia convencional que possa ter um pós-operatório mais dolorido. Como é o caso da ligadura elástica, realizada no próprio consultório, onde é utilizado uma borrachinha apertada que estrangula a hemorroida que cai sozinha em alguns dias.

































