Morreu na manhã dessa quarta-feira, dia 28, o jornalista esportivo Adroaldo Guerra Filho, o “Guerrinha”. Tratado como um ícone no Rio Grande do Sul e reconhecido em grande parte do país, a trajetória de Guerrinha foi marcada por muita irreverência, carisma e perspicácia em seus comentários. O assunto foi abordado na emissora. Confira:

 

No programa Ponto de Encontro, a equipe esportiva da Rádio Marconi relembrou e repercutiu a trajetória do comentarista, contando com a participação especial de Marcos Bertoncello, membro da Rádio Gaúcha e colega de Guerrinha nos últimos anos. “É um momento assim de tristeza, mas é difícil ficar triste falando do Guerrinha. É um dos grandes, é uma das referências para nós que trabalhamos com o futebol aqui, cobrindo os jogos do Criciúma e também, de alguma maneira, com a dupla Grenal”, exaltou o narrador da Rádio Marconi, Joel Bernardo.

O impacto de Adroaldo transpôs gerações, desde seu início de carreira há quase 50 anos, escrevendo sobre o turfe (corrida de cavalos). Em 1993, passou a cobrir o futebol, com foco no Internacional, clube gaúcho do seu coração. “A palavra que eu usei para definir é único. A maneira de comunicar do Guerrinha, o jeito como ele se posicionava no rádio, era muito diferenciado. E para a gente que é mais novo, que é da era digital, o Guerrinha fez parte da minha construção de gostar de rádio e de comunicação. São figuras como essas que estimulam a gente a estar nesse universo”, ressaltou o comentarista da Rádio Marconi, Guilherme Capão, que aos 25 anos reforça a influência de Guerrinha na sua formação.

O relato do repórter Bertoncello é de uma versão ainda melhor do comunicador nos bastidores, revelando um clima interno muito bom provocado por ele. “A redação parava. Porque só com a voz dele, que é marcante, a gente já começa a rir… Fora do ar, era corneteiro, começava a falar de Grêmio e Inter. Fora do ar, eram mais frases ainda e com uma perspicácia incrível… Podia ser com o diretor, com o faxineiro, ele era sempre muito acessível”, revelou Marcos Bertoncello.

A acidez equilibrada com a leveza nos comentários também era uma característica marcante de Guerrinha, que também foi recordada pela equipe durante a repercussão do dia de hoje. “É uma perda irreparável para o nosso jornalismo esportivo, não só do sul do Brasil, mas do país inteiro, porque era um cara que conseguia ser crítico com suas opiniões, opiniões fortes, mas, ao mesmo tempo, ele trazia leveza para o ar. Um cara descontraído, que tinha suas frases geniais”, disse Marco Antônio Medeiros, repórter da Rádio Marconi.

Para arrematar a homenagem ao comunicador que marcou a história do rádio no Sul do país, Bertoncello resumiu o dom singular que fez de Guerrinha uma lenda da crônica esportiva. “Eu acho que o Guerrinha conseguia passar a comunicação em poucas frases. Aquilo que o comentarista faz em um minuto, faz uma análise maior, o Guerrinha resumia tudo em três frases, e às vezes frases coloquiais, populares, que para o público que está do outro lado eram muito fáceis de entender. Infelizmente a comunicação perde um grande nome, mas o Guerrinha deixa um legado gigantesco que vai continuar conosco”, destacou.