A descoberta de um câncer de mama aos 37 anos mudou a rotina de Rafaela Durante. Em 2022, durante um exame de rotina, a urussanguense recebeu o diagnóstico de um tumor ainda pequeno, que não havia sido identificado pelo toque. Desde então, há quatro anos e meio, Rafaela convive com o tratamento e os efeitos da medicação. Bióloga por formação e agricultora, Rafaela mantém as atividades da empresa de plantas ornamentais que administra com o marido. “Foi graças a um exame de rotina que surgiu a detecção precoce desse câncer. Então, quando o pessoal fala ‘faz o exame, faz o acompanhamento’, o pessoal diz ‘mas eu não sinto nada, não tenho nada’. Mas gente, ele é totalmente silencioso. Por isso da importância da detecção precoce”, alertou.
Em alusão ao Outubro Rosa, mês de conscientização e prevenção ao câncer de mama, Rafaela contou sobre sua história de vida em entrevista ao programa Ponto de Encontro. Rafaela relatou que, a partir do momento que a mulher descobre que o tumor é maligno, muitas coisas precisam ser paradas, como o trabalho. “A princípio, é uma situação complicada, porque você tem que parar de fazer o que você está fazendo. Eu sou agricultora, eu não trabalho, infelizmente, sentada no ar-condicionado, enfim, e não é demérito nenhum. Eu só estou dizendo que realmente é um trabalho mais braçal”, disse.
O diagnóstico de Rafaela ocorreu no dia 25 de janeiro de 2022. Quatro dias depois, a agricultora já estava retirando o tumor. “No meu caso, como o câncer era muito pequeno, optou-se já pela remoção instantânea dele. Tem alguns casos que se faz a quimioterapia primeiro, para ele diminuir, para depois você operar”, contou. “Eu não tive muito tempo, tipo, de planejamento de negócios. Quem é que vai me ajudar? Como é que eu vou retomar? Foi uma parada brusca. A gente teve que partir para o tratamento muito rápido. A gente teve, graças a Deus, a ajuda da família, apoio do marido”, comentou. Ouça a entrevista completa realizada na Rádio Marconi:
Com a ajuda do marido e de familiares, conseguiu manter o negócio em funcionamento e retomou gradualmente o trabalho. Há alguns anos, Rafaela trabalha no ramo de plantas ornamentais, área que já se identificava antes de ingressar. “Depois que a gente voltou da Alemanha, a gente construiu uma casa no bairro São Pedro. Aí começamos a empreender com suculentas. Construímos ali as estufas, à medida que o negócio foi progredindo, a gente foi ampliando. Só que daí em 2022 veio a notícia de um câncer de mama”, falou. “O câncer nunca me definiu. Eu sempre tentei manter a vida da maneira mais normal possível”, relatou. “Eu dava aquela pausa entre as químios, aquela descansada um pouco maior, porque era inevitável, o corpo precisa desse descanso. Mas, quando eu conseguia ficar de pé, já ia para a estufa de novo trabalhar e tentar voltar à rotina o mais rápido possível”, ressaltou.
Rafaela contou que ainda não considera o processo encerrado e segue sob cuidados médicos, com consultas, exames periódicos e medicamentos para reduzir o risco de retorno da doença. Segundo ela, o tratamento hormonal provoca efeitos como dores nas articulações, enxaquecas, cansaço, suores noturnos e dificuldades de concentração. A medicação também provoca uma menopausa antecipada, condição que interfere na disposição e na rotina. A duração do tratamento será definida pela equipe médica responsável. A agricultora, hoje com 42 anos de idade, disse que sente dores de uma pessoa de 70 anos. “Tem dias que a gente está muito cansado, fadigado, muita confusão mental”, relatou. “O tratamento de câncer é uma luta constante para a gente tentar voltar a ser o que era. E aí o que vai acontecer depois? Não sei, vou esperar o tratamento acabar”, falou.
Confira a entrevista em vídeo:



































