Uma história de dedicação à educação, ao serviço público, à igreja e à comunicação marca a trajetória de Rosa Miotello em Urussanga. Nascida em Lauro Müller, na comunidade de Rio Queimado, Rosa chegou em Urussanga por volta dos 10 anos de idade, quando a família se mudou por causa do pai, que trabalhava em uma mina. Inicialmente, a família viveu alguns anos em uma casa no bairro Baixada Fluminense. “Era uma grande família em uma casa pequena. Não lembro se tinham três ou quatro quartos, mas a gente dormia tudo amontoado enquanto o pai construía a nossa casa”, relembrou. Novamente por conta do pai, a família se mudou e viveu durante um tempo na cidade de Orleans. “Moramos em Orleans durante cinco anos. De lá, aí fomos a Tubarão, o pai trabalhou durante seis meses na Santa Fé, uma loja de ferragens”, contou Rosa.

Depois dessa época, Rosa e sua família retornaram para Urussanga. Foi quando a mãe descobriu que estava grávida do caçula da família. “Era uma disputa porque nós queríamos mais uma menina e veio um menino. Aí ficaram quatro rapazes e três mulheres”, falou. “A nossa juventude, a nossa vida toda aqui em Urussanga, a gente sempre foi muito de igreja, logo nos envolvemos bastante na igreja porque o terceiro filho da casa, que era o primeiro homem, o Valdemir, estava no seminário de Tubarão e o Evilásio também depois foi para Tubarão”, contou Rosa.

Ainda na juventude, Rosa iniciou o magistério e começou a trabalhar no Paraíso da Criança, onde havia turmas da primeira a quarta série. “Eu trabalhei o primeiro ano no pré-primário, com a irmã Anunciada. Depois eu fui para uma segunda e depois uma terceira série. Recebi aquele dinheirinho ali para poder pagar o Colégio Rainha do Mundo das Irmãs Beneditinas, onde eu fiz o meu magistério”, disse. Após concluir o curso, Rosa teve que fazer um ano de estágio para se preparar para dar aulas. Naquela época, o estágio era através do Estado e era preciso fazer uma prova em Florianópolis. “Eu tive sorte porque aqueles três anos que eu trabalhei no Paraíso da Criança contaram três pontos, mas a nota que a gente tira na prova soma, eu consegui uma vaga no Caetano Bez Batti, aqui em Urussanga. Nem saí de Urussanga, fiquei aqui mesmo”, recordou.

Rosa foi professora na Escola Caetano Bez Batti durante um ano. Depois disso, Rosa teve que fazer novamente uma prova no Estado para conseguir uma nova vaga. Foi aí que Rosa conseguiu uma vaga em uma escola na comunidade de Rio Caeté, onde trabalhou de março de 1971 a março de 1980. “No início ia a pé, saía cedinho de casa. Nossa, geadão no inverno, pior do que esse ano. Chegava lá aquele Rio Caeté totalmente branco”, falou. “Naquela época a gente não recebia o pagamento logo, levava alguns meses. Quando eu recebi o pagamento, eu comprei uma bicicleta usada da professora Arlete Freccia”, disse. Já em 1974, Rosa comprou seu primeiro carro, um Fusca Azul. Rosa Miotello participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e relembrou a sua trajetória de vida. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Além de professora, Rosa também atuou no Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) durante o período em que deu aulas no Rio Caeté. Depois, Rosa prestou um novo concurso público e foi admitida no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), onde se aposentou. “Comecei no setor pessoal, depois eu gostava de aprender um pouquinho de tudo. Fui para tesouraria com o senhor Moacir Damiani, curiosa lá, aprendi na procuradoria com a Ana Piacentini um pouco dos processos”, comentou. “Mas o meu setor acabou sendo o setor de arrecadação. Fazia os cálculos para quem tinha o INSS atrasado, ou de empresa, ou particular”, falou.

Na igreja, Rosa já era catequista aos 14 anos de idade. Na época, as missas ainda eram celebradas em latim e o padre ficava de costas para os fiéis. “A partir de 1965, então, com o Concílio, muitas foram as mudanças. Então, a missa em português, na sua própria língua, em cada país, e a gente começou a ter mais participações da igreja. O padre Agenor mandou fazer um livrinho da missa em português e a gente estava firme na igreja com o livrinho”, disse. Hoje, há mais de 50 anos, Rosa apresenta o programa Andorinha Mensageira, sucedendo seu criador, o Monsenhor Agenor Neves Marques, que o apresentou durante 55 anos. “Eu fazia a parte de propaganda, lia as cartinhas”, recordou Rosa sobre seu início na apresentação.

Confira a entrevista também em vídeo:

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