Celebrado em 26 de junho, o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre os impactos do consumo e da comercialização de entorpecentes. A data busca reforçar a importância da prevenção, do tratamento e do combate ao tráfico, além de alertar para os prejuízos que a dependência química pode causar à saúde física e mental dos usuários, comprometendo também o convívio familiar, as relações sociais e a segurança da comunidade. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a campanha incentiva ações voltadas à informação, ao acolhimento de pessoas em situação de dependência e ao fortalecimento de políticas públicas de enfrentamento às drogas.

Vânio de Oliveira, presidente da Federação das Comunidades Terapêuticas do Estado de Santa Catarina (Fecotesc), destacou que a data está ligada à campanha do Junho Branco. “Se trata de tratamento, prevenção e repressão. Nós estamos muito ligados ao tratamento e prevenção quando a gente é chamado para uma palestra, uma atividade, participando dos conselhos, seja estadual ou municipal. É muito interessante porque, se nós não prevenirmos, a nossa juventude, as nossas crianças vão ser pegas pelo traficante, pelas oportunidades”, destacou. Segundo Vânio, as comunidades terapêuticas têm como base um programa de recuperação de nove meses. “Quem não faz nove meses, a probabilidade de recaída é muito grande, principalmente com dois, com três meses”, pontuou.

Recuperado do uso de drogas há 17 anos, hoje Lorival Gonçalves é fundador e diretor da Comunidade Terapêutica Rosa de Saron, em Siderópolis. Em entrevista, Lorival contou que, em 1997, já fazia o uso de drogas. Em 2002, ele teve a oportunidade de ir trabalhar na Itália, onde se casou com sua esposa e teve uma filha. Em 2008, com a crise financeira nos bancos dos Estados Unidos, Lorival retornou para o Brasil com a sua família. “Quando eu voltei, eu voltei com sede, voltei com tudo, aonde que a minha recaída foi grande, foi um desastre”, relembrou. Por causa das drogas, Lorival chegou a ficar três meses nas ruas. Foi quando sua família o encontrou e o encaminhou para tratamento em um centro terapêutico. “Comecei a ler a bíblia, comecei a respeitar o que Jesus nos pede, o que é permitido, o que não é permitido, e comecei a botar em prática na minha vida”, falou. “Deu vontade de usar droga? Deu, muito. E eu cheguei a chorar, sonhar, acordar todo babado com vontade de usar droga, mas eu determinei: eu não vou usar mais, eu não posso”, relatou.

Há quase duas décadas atuando na recuperação de dependentes químicos, Valter Silva, da Comunidade Terapêutica Luz do Vale, de Nova Veneza, afirma que a trajetória é marcada por inúmeros desafios e histórias de superação. “A experiência mais agradável que a gente tem, e o nosso maior pagamento, é quando a gente encontra pessoas que passaram conosco que estão junto com a família, de volta para a sociedade, com uma vida regrada novamente”, afirmou Valter. “Às vezes tem pessoas que não entendem, órgãos governamentais, mas a gente sabe que a espiritualidade é essencial dentro da comunidade terapêutica e ajuda muito as pessoas a entenderem qual o sentido da vida, as mudanças que precisam fazer”, destacou. Para reforçar mais sobre a importância da data e do trabalho realizado pelas comunidades terapêuticas, o programa Ponto de Encontro realizou uma entrevista especial com Vânio, Lorival e Valter. Ouça na íntegra:

 

Confira a entrevista também em vídeo: