A bronquiolite é uma inflamação viral que inflama os bronquíolos, que são pequenas vias aéreas presentes no pulmão. De acordo com o doutor Gil Bardini Alves, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia da Regional de Santa Catarina (Asbai-SC), o problema afeta principalmente crianças menores de dois anos de idade. “Ela pode ter sintomas como coriza, tosse, chiado no peito, dificuldade para respirar. Em crianças pequenas pode ter recusa alimentar”, disse, alertando que, em muitos casos, a bronquiolite pode iniciar como se fosse um resfriado comum até progredir os sintomas. “Os principais causadores da bronquiolite são os vírus e um, que vale a pena destacar, é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Outros vírus também pode causar, como rinovírus, metapneumovírus, influenza, parainfluenza, que são vários vírus que circulam no nosso ambiente e que transmitem de pessoa para pessoa, de criança para criança, principalmente os contatos com gotículas, essas coisas”, explicou o especialista.

Pequenos hábitos podem prevenir a transmissão da bronquiolite, como sempre lavar as mãos, evitar contato com pessoas gripadas e evitar visitas a recém-nascidos. “O contágio é muito fácil, o vírus está em todos os ambientes, mas essas medidas ajudam a minimizar o risco de infecção”, destacou. Conforme o doutor, existem alguns sinais que diferenciam a bronquiolite de uma gripe comum. “O que vai chamar a atenção é quando a criança começa a ter outros sintomas. Começa a ter uma respiração mais rápida; as costelas começam a ficar retraídas, que a gente fala como se a criança tivesse um esforço para respirar; a criança começa a ter dificuldade para mamar; começa a ter cansaço; o lábio começa a ficar roxo; e a criança pode respirar como se tivesse uma apneia”, contou Gil. “Esses são sinais de alerta que os pais devem ter em mente e procurar o atendimento rapidamente”, salientou. O assunto foi abordado em entrevista, ouça mais:

 

Segundo o alergista, a bronquiolite é comumente mais registrada durante o inverno. No entanto, o especialista analisou que, após a pandemia de Covid-19, vírus que eram restritos ao inverno passaram a ser registrados também em outras épocas do ano. “Mas o importante é que a questão do inverno é quando as pessoas ficam mais juntas, ficam mais agrupadas, ficam com janelas fechadas e acabam facilitando a disseminação do vírus”, observou. Por ser transmitido por gotículas, a bronquiolite acaba sendo bastante observada em crianças que frequentam as creches. “Por isso que a gente sempre orienta creches e salas com poucas crianças, que ajuda a minimizar a transmissão. Obviamente, a gente sabe que nem sempre é possível creches com salas com poucas crianças”, comentou.

Adultos também podem ter bronquiolite, principalmente pessoas acima dos 50 anos de idade com comorbidades ou acima dos 60 anos. No entanto, o maior grupo de risco realmente são as crianças. “São os prematuros, bebês com menos de seis meses, crianças que nasceram com problemas de coração, crianças com doenças pulmonares, crianças com síndrome de Down, crianças com defeito da imunidade. São crianças que têm o maior risco de complicar, de ter que internar pela bronquiolite”, disse. “Muitas crianças sadias, que não têm nenhuma doença crônica, evoluem bem”, falou. O doutor Gil também frisou sobre o pós-diagnóstico. “Como são causadas por vírus, antibióticos não costumam funcionar e as bombinhas também não costumam funcionar. Então a gente não tem um tratamento específico. O que nós temos hoje são as medidas de prevenção para a bronquiolite”, afirmou.