A uroginecologista é uma subespecialidade da ginecologia que foca em disfunções do assoalho pélvico, como perda de urina, infecções urinárias de repetição, dor nas relações sexuais e dor pélvica crônica. Para a doutora Nadhine Ronsoni, especialista da área e professora do curso de medicina da Unesc, todos esses tipos de alterações não são consideradas normais e possuem algum tipo de tratamento para melhorar a qualidade de vida da paciente. “Uma a cada quatro mulheres sofre de disfunção do assoalho pélvico ou vai sofrer na sua vida”, afirmou a doutora. “As mães dessas pacientes muito provavelmente têm algum desses problemas e, por ser ainda um tabu na nossa sociedade, têm vergonha de falar sobre isso, não buscam ajuda. Então sempre trazer informação de qualidade é muito importante para a paciente ter a motivação de buscar uma ajuda”, salientou.
Conforme a especialista, muitas mulheres acabam não falando todas as suas queixas em uma consulta ginecológica. “Se a gente não pergunta ativamente para ela sobre essas queixas, ela não fala. Ela não fala porque tem vergonha, ela não fala porque ela acha que isso é normal. Então eu costumo falar até para as minhas colegas ginecologistas, perguntem ativamente para essa paciente se tem perda de urina, se sente algum desconforto na hora da relação sexual, aquela bolinha ali na região íntima, e a gente se assusta com a quantidade de mulheres que falam sim”, comentou. “A gente não fala só sobre uma condição anatômica e sim sobre a autoestima, sobre qualidade de vida”, falou. A doutora Nadhine ainda contou que muitas mulheres sentem vergonha de sair de casa quando possuem perda de urina.
Nadhine explicou que há dois tipos de perda de urina: a paciente que sente perder urina ao tossir ou gargalhar, ou aquela que não consegue controlar a bexiga e precisa urinar assim que sente vontade. Esse segundo é conhecido como perda de urgência, a popular bexiga hiperativa. “Claro que existem os dois tipos ao mesmo tempo, que a gente chama de incontinência urinária mista”, falou. Uma gestação, menopausa e até atividades de alto impacto, como prática de cross fit, podem ser fatores de risco para a perda de urina. Além disso, o sobrepeso também pode ocasionar o problema, já que o peso da barriga afeta o assoalho pélvico. “Eu costumo falar para as pacientes que, por mais que isso seja comum com o envelhecimento, a gente não pode levar como uma normalidade do envelhecimento”, disse. “A perda de urina, a bexiga caída, tem tratamento e a gente consegue melhorar muito a qualidade de vida com procedimentos que a gente chama de minimamente invasivos”, falou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com a doutora Nadhine no programa Ponto de Encontro. Ouça:




































