No mês do Dia Internacional da Mulher, a Polícia Militar de Santa Catarina está intensificando as ações de prevenção e de combate à violência contra a mulher. A Polícia Militar de Urussanga também está focada neste trabalho através da Operação Mulheres. “É o momento em que também nós estamos trazendo à tona um assunto tão importante e tão desafiador hoje na nossa sociedade que é a violência doméstica e familiar contra a mulher”, destacou o comandante da PM de Urussanga, capitão Valdir Cristóvão. De acordo com o comandante, o município de Urussanga registrou, em média, 700 casos de violência contra a mulher nos últimos cinco anos. Esse dado representa um número de 140 casos por ano. “Se a gente for fazer um cálculo simples, a cada dois dias aqui em Urussanga, uma mulher é vítima de violência doméstica e familiar”, destacou o capitão.

Em 2025, Santa Catarina registrou 52 feminicídios no âmbito da violência doméstica e familiar. “Cada vez mais temos que tratar desse assunto com prevenção, com informação para que a gente consiga romper essa bolha de casos que ainda estão escondidos de violência doméstica, a gente precisa encorajar as mulheres para que tomem as providências”, reforçou o capitão Cristóvão. A cabo Elaine Benincá Cardoso ressaltou que, em várias situações, o homem consegue manipular a mulher para que ela não consiga sair do ciclo de violência. “Em casos em que ele diz ‘se tu me denunciar eu te mato’, ‘eu faço isso’, ‘faço aquilo’, aquelas ameaças recorrentes, aquilo ali já entrou na mente dela porque ela está naquele ciclo. Então, muitas vezes, ela desacredita que tem todo esse aparato do Estado, da polícia para estar ajudando ela, para estar fazendo valer a Lei Maria da Penha, que hoje em dia tem muita força”, disse, acrescentando também sobre a Rede Catarina, presente no estado.

Segundo o capitão Cristóvão, como forma de prevenção, a PM de Urussanga tem intensificado a visita na casa de agressores e também das vítimas que possuem medidas protetivas. “Nós também recebemos um relatório do Poder Judiciário dos mandados de prisão em aberto em todos os municípios aqui da área de Urussanga e no entorno, então nós cumprimos”, relatou. “A operação em si focou muito na prevenção, em trazer esse tema à tona para que aquelas mulheres que estão sendo vítimas de violência doméstica se encorajam a denunciar, se encorajam a tomar providência”, pontuou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o capitão Cristóvão e a cabo Elaine no programa Comando Marconi. Ouça na íntegra e saiba mais:

 

A cabo Elaine ressaltou que a violência doméstica não é caracterizada somente de forma física. Isso porque também existe a violência psicológica, financeira, patrimonial, sexual e emocional. “Ela tem que entender que ela pode sair desse ciclo sem esperar chegar no pior, na violência realmente física, na agressão e até no feminicídio. Então ela precisa tomar conhecimento de que a lei já protege ela desde a parte patrimonial, por exemplo, que pouca gente entende. O celular, mesmo que o marido ou namorado deu para ela, é dela, é algo particular. Se ele, em uma discussão, pega esse celular e joga na parede, isso configura uma violência patrimonial”, explicou a cabo. O número 180 é um canal de denúncias para que investigações sejam realizadas. O 190 é um canal emergencial, no qual a Polícia Militar é acionada imediatamente para atender a ocorrência. O capitão Cristóvão destacou que as mulheres com medida protetiva podem instalar o botão do pânico, da Rede Catarina, no próprio celular. “A partir do momento que a mulher vítima acionada o botão, essa ocorrência é prioridade absoluta em todas as outras ocorrências que estão em andamento”, esclareceu.

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