Na região central de Urussanga, onde se pode ver toda a evolução e crescimento da cidade, vive a dona Olga Freccia Trento, uma das pessoas mais longevas e memoráveis da história urussanguense. Prestes a completar 108 anos de idade no dia 27 de julho, dona Olga carrega consigo uma vida plena, marcada por fé, trabalho e afeto. Nascida em Azambuja, em Pedras Grandes, Olga se casou com Aurélio Trento. Ainda pequena, Olga se mudou para a comunidade de Rio Deserto, em Urussanga, junto com a sua família. Da união com Aurélio nasceram cinco filhas, 12 netos, 12 bisnetos e dois trinetos.
Olga e Aurélio
Em tempos que era necessário caminhar quilômetros para estudar, já que dona Olga precisava ir para a escola em Rio Caeté, e as crianças ajudavam nos afazeres desde cedo, Olga tinha o desejo de ser advogada. Quem conta esse sonho são as filhas de Olga, Giselda e Silvia. “Ela dizia isso ‘se eu tivesse oportunidade, eu queria ser advogada’. Sempre. Era o sonho dela ser advogada e ela tinha esse perfil, porque ela foi sempre assim, de mandar nas coisas e dinâmica. Meu pai era uma pessoa suave, e ela que administrava tudo. Meu pai trabalhava e trazia o sustento, e ela administrava a casa toda, fazia almoço, fazia as compras, cuidados dos filhos, fazia as nossas roupas”, afirmam as filhas.
Na costura, Olga foi referência em Urussanga, atendendo até a elite local. “Ela foi costureira até da Dona Zita, esposa do doutor Caruso MacDonald, que era o médico da cidade, e ela era porto-alegrense, muito chic, era sempre de salto, eu me lembro, de sombrinha”, contam. Além de costureira, Olga também é ligada a outros tipos de artes. Segundo as filhas, a mãe pintava porcelanas e telas, além de já ter bordado uma almofada que foi utilizada no casamento para se ajoelhar durante a cerimônia. Inclusive, o bolo de aniversário dos 100 anos de Olga foi em formato de uma almofada em que ela se ajoelhou no próprio casamento.

Na área social, dona Olga foi uma das fundadoras do Lions Club. Em 2017, tanto Olga como o próprio clube completaram o centenário de existência. “Frequentou até quase 100 anos, quando ela já ficou mais debilitada, já não tinha muitas condições de ir. Mas foi uma coincidência que, quando ela completou, em 2017, 100 anos, foi também o centenário do Lions Club Internacional, em Chicago. E o governador do Lions, daqui da nossa região, tinha ido a uma convenção, e ele contou essa história lá e eles mandaram de presente para ela um boton de ouro, que está guardado ali, com o emblema do Lions, em homenagem porque faz parte da história, era a única centenária do Lions no mundo”, relembram as filhas.
Todas essas histórias que fazem parte da vida de Olga foram contadas por suas filhas em uma entrevista especial para a Rádio Marconi. Ouça na íntegra e saiba mais:

















































