Considerada uma das doenças neurológicas mais comuns, ficando atrás do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e da cefaleia (dor de cabeça), a epilepsia é caracterizada por uma alteração transitória da transmissão elétrica do cérebro. De acordo com a neurologista Clarissa Lin Yasuda, professora da Unicamp, essa alteração ocorre de maneira espontânea, inesperada. “A epilepsia pode acometer as pessoas em qualquer faixa etária. Ela tem os picos principalmente na infância e, depois, nos mais idosos, mas qualquer pessoa pode desenvolver a epilepsia, em qualquer época da vida e também tanto homem quanto mulher”, explica.
De acordo com a doutora, existem diversas causas para a epilepsia, desde questões genéticas, que não são a maioria, a situações que podem desencadear o problema. “A gente tem as epilepsias estruturais que, por exemplo, uma pessoa pode ter um AVC ou um traumatismo craniano e, depois de algum tempo, começa a apresentar as convulsões. Então, a gente fala que são epilepsias secundárias”, conta. “Existem várias outras causas de epilepsia que não são decorrentes de traumatismo ou de AVC, mas podem ser, por exemplo, infecções variadas e podem ter acontecido eventos durante a gestação também daquela pessoa, então, são muitas etiologias”, acrescenta Clarissa.
A especialista ainda esclarece que a epilepsia é dividida em dois grandes grupos: as generalizadas e as focais. Além disso, há um terceiro grupo, mas, segundo Clarissa, não é possível classificar. “Quando a pessoa tem crises em que ela não percebe que ela pode cair e desmaiar, existe uma grande chance de que ela esteja dentro do grupo de epilepsias generalizadas. Por outro lado, quando o indivíduo tem alguma manifestação, seja sensitiva, motora, visual, ou de cheiro, ou de audição, que se repete e aquilo evolui, por exemplo, com a perda da consciência ou com a queda, a gente classifica como epilepsia focal. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com a doutora Clarissa na Rádio Marconi. Ouça na íntegra:
A neurologista salienta que o paciente que possui epilepsia pode ou não sofrer de desmaios como sintoma. “A crise epilética, quando a gente chama de convulsão, é a que tem desmaio. Agora, existem vários outros tipos de crises que não necessariamente vai ter aquele desmaio que as pessoas estão acostumadas a ver, que a pessoa cai, vai ficar movendo as pernas e os braços, algumas vezes tem salivação. Existem vários outros tipos que podem evoluir para esse evento bem grave, que a pessoa está se batendo, mas às vezes ela só tem o movimento do braço ou só da boca, ou ela tem só uma sensação, ou uma memória que vem. Então, existem muitas manifestações que, às vezes, a pessoa nem imagina que aquilo é um tipo de crise epilética, e por isso que as pessoas demoram para chegar no médico, porque elas só acabam indo no médico quando elas acabam tendo aquele evento grave, que ela cai, se bate, se machuca, mas existem muitos tipos de crise epiléticas”, comenta.
A epilepsia está relacionada com outras doenças neurológicas e até psiquiátricas. Conforme a doutora Clarissa, sabe-se que pessoas com epilepsia têm maior chance de ter outros diagnósticos como ansiedade e depressão, e vice-versa. “Existem algumas outras doenças genéticas em que você pode ter manifestação motora com epilepsia, mas são eventos mais raros. E algumas vezes você pode ter desmaios que parecem que é uma convulsão, mas não são. Aí é difícil a gente ter certeza para diferenciar os eventos, para saber se aquilo foi uma convulsão ou foi um problema do coração, por exemplo. Aí precisa de investigação do cardiologista e do neurologista, fazer alguns exames para poder saber”, pontua.
Clarissa salienta que, nesse caso, é difícil falar sobre cura da epilepsia. No entanto, é possível manter um tratamento para evitar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. “Alguns pacientes que têm crises que não respondem com remédio podem ser candidatos à cirurgia. Em algumas situações, a gente inclusive é um centro de referência aqui no Brasil. Mas é difícil a gente prometer que todo mundo vai ser curado. Algumas pessoas conseguem ter o controle das crises e depois conseguem parar de tomar medicação, mas isso não é muito frequente, tão frequente quanto a gente gostaria”, esclarece.



































