Queijo e ovo. Esses são os ingredientes protagonistas da fortaia. Com um pouco de óleo, passando o queijo na farinha de milho ou junto com o salame, esses dois ingredientes são ainda mais incrementados. Névton Vicente Rech Bortolotto e Rosa Apolinário ensinam a receita, mas com um outro toque especial: o talian. Juntos, exploram o interior de Urussanga em busca dos principais ingredientes para fazer a receita, com o diálogo feito no dialeto italiano. A obra audiovisual, já disponível no YouTube, tem o nome de “Magnon Fortaia, Ostrega!”
O projeto foi desenvolvido através da Lei Paulo Gustavo. “O filme é todo falado em talian. Então, esse é o diferencial dele, porque você pensa ‘ah, vou fazer um filme ensinando a fazer fortaia’, isso é uma coisa simples, fortaia é uma receita muito simples, mas quando você coloca esses desafios de ter que buscar os ingredientes da sua fortaia na colônia e de que todo esse processo de buscar os ingredientes, a feitura dele, é todo falando na nossa língua, no nosso dialeto vêneto, isso transforma ele em uma pérola que a gente está entregando agora para a população”, comenta a diretora do documentário, Vanessa Lopes.
Rosa, que participa da obra audiovisual, destaca que o dialeto não pode ser perdido. “Eu fui criada pelos meus avós até os nove, depois a minha mãe. A gente sempre falou, tem os filhos que falam, a gente fala todo dia nosso dialeto, não podemos perdê-lo”, salienta. “Fazer esse filme é uma forma de trabalhar isso mesmo, de criar essa memória, contar um pouco da nossa história”, acrescenta Vanessa. “Essa tradição oral mesmo, que diz muito sobre quem a gente é, e quando a gente trabalha a nossa cultura, as nossas raízes, quando a gente sabe quem a gente é, a gente certamente está em paz com a gente mesmo”, reforça a diretora.
Névton conta que a obra não é só sobre uma receita, mas a recriação de um momento da vida cotidiana. “É todo o ambiente, tudo que está em volta, é um conjunto de pequenas ações que transformam, no fim, como se diz, manufaturar esse prato em algo atraente, porque não é só a fortaia, é o contato de ir lá buscar os ingredientes, é o ambiente, são outros momentos que contracenam e, no fim, é um ambiente, é a recriação de um momento, de um ambiente da nossa vida cotidiana. Italianidade, isso é muito importante”, frisa. Rosa, Névton e Vanessa participaram de entrevista no programa Ponto de Encontro e explicaram mais sobre a obra. Ouça na íntegra:
O documentário, que tem 30 minutos, não foi totalmente roteirizado, com falas específicas para Rosa e Névton. “Nós não tínhamos um texto, não tínhamos ele escrito, tudo foi naturalmente”, salienta Névton. “Foi isso que tornou ele bastante legal, espontâneo e original, uma coisa assim bem a nossa cara mesmo”, complementa. Segundo Vanessa, a orientação para os dois era o improviso: puxar conversas sobre alguma memória, histórias da família e como se faziam alguns ingredientes antigamente. A obra audiovisual está disponível no canal do YouTube da produtora INdependente.
Confira o documentário:




































