Neste ano, o Brasil recordou, pela primeira vez, o Dia da Consciência Negra como Feriado Nacional. A data lembra a história de Zumbi dos Palmares, importante nome na resistência à escravidão. O mestre em História e coordenador do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), professor doutor Cláudio Honorato, destaca que a história que ocorreu com os negros não se apaga. “É um trauma. Você não esquece. Você aprende a conviver com ele, você aprende a superá-lo, e é isso que a sociedade brasileira precisa fazer. A gente não vai esquecer nunca a violência que foi a escravidão, em especial para as pessoas negras”, afirma.

Para o especialista, se de um lado existe um acirramento do racismo, do outro cada vez mais pessoas se mobilizam na luta antirracista. “Existe o racista convicto, e eu acho que tem que ser tratado na letra da lei, infelizmente tem que ser assim, mas por outro lado, eu vejo que a luta antirracista tem se alastrado na sociedade brasileira em todos os segmentos. Eu vejo muitos coletivos, e, em especial, a luta das mulheres, a organização das mulheres, então isso é um grande avanço na sociedade. Mas eu vejo muitos jovens negros aderindo aos coletivos nas universidades”, destaca.

O doutor Cláudio também salienta que, nos últimos anos, as pessoas brancas também têm aderido aos movimentos de combate ao racismo. “Isso já acontecia antes, em menor proporção, mas a gente viu nos últimos anos, em especial após o lamentável episódio do George Floyd”, comenta. Conforme o professor, esse movimento antirracista também tem sido percebido em outros setores da sociedade, como também o judiciário. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça:

 

Para a advogada Gabriella Andréa Pereira, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), o Dia da Consciência Negra serve para que as pessoas lembrem de lutar contra o racismo todos os dias. A especialista reforça também sobre a representatividade negra no Brasil. “A falta da representatividade traz um reforço para as desigualdades, que são culturais e históricas no nosso país”, conta. A advogada salienta que o IBDFAM tem esse objetivo de dar mais visibilidade a representatividade, para que famílias negras saibam que existe uma pessoa também negra nos locais de poder lutando por mais direitos e oportunidades.

Gabriella explica que há desafios para aumentar a diversidade racial nas instâncias de poder. “Creio que o maior desafio é a falta de políticas afirmativas que sejam eficazes, principalmente porque nós temos, dentro da seara da população negra, uma barreira educacional para que as carreiras jurídicas sejam acessadas, e não só acessadas por cotas, por exemplo, que são fundamentais, mas para que as pessoas permaneçam nesses locais”, afirma. “Há uma estigmatização e um preconceito velado que desestimula esses candidatos, muitas vezes, a permanecerem nesses lugares, porque eles são as únicas pessoas e, além disso, essa falta de estímulo para estar nesses lugares reforça a exclusão”, acrescenta. O assunto também foi abordado em entrevista, confira:

 

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