Aos dois anos de idade, Michael Paul Zeitlin e sua família deixaram a Alemanha de Hitler para começar uma nova vida no Brasil, em 1939, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Naquela época, alemães com diploma universitário não podiam deixar o país. O padrasto de Michael trabalhava em uma empresa, na qual um industrial brasileiro comprou uma máquina para produzir papel de cigarro. Como havia essa lei de que formados não poderiam deixar o país, o industrial precisava de alguém da fábrica para a montagem da máquina. Foi aí que o dono da empresa e chefe do padrasto de Michael falou sobre a oportunidade de ir para o Brasil. A partir daí, a vida de Michael mudou completamente conforme foi crescendo, tornando-se um importante engenheiro civil para o país, especialmente para São Paulo, na qual foi secretário de Transportes do governo de Mário Covas.
Michael conta que ele, sua mãe e padrasto se mudaram para Pindamonhangaba, no estado de São Paulo, onde o seu padrasto atuou na empresa do industrial que comprou a máquina alemã. Passados três anos, quando o contrato de trabalho foi finalizado, a família se mudou para Santa Catarina, no município de Campina da Alegria. “No acordo de divórcio dos meus pais, quando eu fizesse 12 anos, eu deveria deixar a casa da minha mãe e morar com o meu pai, que, nessa altura, morava nos Estados Unidos e era um cidadão americano. Minha mãe não queria deixar eu sair, e ela e meu pai fizeram um acordo de que nas férias de fim de ano aqui no Brasil, eu iria passar as férias nos Estados Unidos. Meu pai estava apostando que, conhecendo a realidade americana, eu ia preferir morar lá. Mas deu o contrário, eu sempre preferi ficar aqui no Brasil”, diz.
Depois de alguns anos vivendo em Santa Catarina, Michael retornou a São Paulo, onde estudou engenharia civil. Na época da faculdade, um de seus professores era Mário Covas. “Anos mais tarde, quando ele foi eleito governador de São Paulo, ele me convidou para ser secretário de Transportes e eu aceitei. Eu tinha acabado de ser diretor da Fundação Getúlio Vargas, aqui em São Paulo, onde fui eleito muito pelos alunos, professores e funcionários para dirigir durante quatro anos a escola aqui. E a gestão que eu tive na escola foi de chamar a atenção, pelo jeito, porque ele resolveu que valia a pena me convidar para ser secretário de Transportes. E aí, um dos projetos que nós conduzimos foi o trecho Oeste do Rodoanel, que além de cruzar com cinco importantes rodovias brasileiras, ele mostrou para a população, para a imprensa, para todos, que era viável fazer uma pista do Rodoanel como projetada”, relembra o engenheiro.
Michael ficou na secretaria durante cinco anos, até a morte do governador Mário Covas. Outro projeto que o engenheiro se orgulha em ter desenvolvido foi a chamada Rodovia Vida. Na época, muitos acidentes eram registrados no trecho. “Nós resolvemos tratar o problema do óbito nas rodovias como um problema de prioridade total e montamos uma equipe de oficial militar, de engenheiro, de pessoa da comunicação, com imprensa, no sentido de examinar cada caso de acidente com óbito do mesmo modo que a força aérea e as companhias aéreas fazem quando há um acidente aéreo”, afirma. Foi nesse estudo que foi descoberto que grande parte dos acidentes envolviam pedestres tentando atravessar a rodovia. “Com isso, nós mudamos o contrato de concessões das rodovias e fizemos com que houvesse, quando havia muita gente andando em um determinado local, a gente obrigou as rodovias a construir passarelas”, conta. “Acho que foi uma contribuição pessoal minha que me enche de orgulho”, destaca.
A história de Michael, sua relação com a engenharia, seus estudos e outras contribuições foram abordados em uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro. Ouça a conversa na íntegra:
O engenheiro também tem a sua contribuição para a literatura. Isso porque lançou o seu livro “Apesar disso, rolou”. Michael conta que, durante os anos, o desejo de escrever sempre crescia cada vez mais. Foi aí que sua esposa disse para ele fazer um curso de redação, para aprimorar a sua escrita. O engenheiro lembra que, em um determinado momento de sua vida, estava passando por um período difícil. “Eu nem lembro exatamente qual era o fato que estava me entristecendo, mas eu estava muito deprimido, e eu fiz uma redação que expressava essa depressão”, conta. Michael se descreveu em seu texto como ‘tudo o que eu ponho a mão dá errado’. “E o professor perguntou, o que é isso? O que você está fazendo com essa depressão toda? E eu contei para ele as coisas que estavam me aporrinhando naquele momento, e ele falou ‘nada disso, você devia fazer o que você se propôs quando veio fazer o curso aqui, você devia começar a escrever a história da sua vida, e eu daria um título que, apesar disso, que eram todas as coisas que estavam me enervando, vou dizer assim, rolou’. Eu achei o título tão atraente, tão convidativo, tão beleza, e era uma oportunidade”, fala.
O livro de Michael pode ser encontrado pela Internet. Além disso, o engenheiro possui um site (CLIQUE AQUI) onde publica os seus textos e crônicas. No site, também é possível conferir algumas contribuições de Michael para a engenharia e outras áreas. No endereço, também é possível ler na íntegra a carta que Michael leu no discurso de formatura na Pós-Graduação em Administração de Empresas, da FGV. No texto, Michael menciona o período de repressão e censura vivido durante a época da Ditadura Militar (LEIA AQUI).






































