O que era uma brincadeira de criança se tornou realidade. Entre imaginações com um quadro e uma carteira cedida por uma coordenadora de escola, uma menina se inspirava em seus professores para passar o tempo. Com essa brincadeira de escolinha dentro de casa, passados os anos, a urussanguense Fernanda Ronsoni decidiu seguir seu sonho e se tornou uma professora. Há cinco anos formada em pedagogia, Fernanda retorna todos os dias para a sala de aula, onde reencontra seus próprios professores, agora como colegas de trabalho. “Dez anos atrás eu me formava no Barão do Rio Branco e hoje eu volto como professora, então está sendo uma alegria muito grande”, destaca.

Este dia 15 é lembrado por ser o Dia do Professor. Para ressaltar a data, a profissão, os desafios e as alegrias vividas, o programa Ponto de Encontro realizou uma entrevista especial com a professora Fernanda, que representou os colegas de profissão. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Para Fernanda, que atua com alunos do terceiro ano do fundamental, que têm em média oito anos de idade, a maior alegria é ver os estudantes aprendendo a ler. “É indescritível, é muito marcante. É semelhante a ver a criança dar os seus primeiros passos. Eu acredito que é algo que marca muito a gente e emociona”, afirma. “É muito bom saber que a criança está lendo nas tuas mãos e que tu foi, de certa forma, às vezes o principal responsável nesse momento”, acrescenta a professora.

Outro sentimento gratificante de um professor, segundo Fernanda, é encontrar os ex-alunos já adultos com suas próprias profissões. “Praticamente todos os dias eu encontro ex-professores e é muito bacana. Eu vejo o quanto é gratificante eles se darem conta de que foram responsáveis pelo meu processo de formação e que hoje eu estou na sala de aula como professora. Mas a gente tem policiais, a gente tem inúmeras profissões que vieram do mercado de trabalho que, querendo ou não, no momento da vida dessa criança, desse adolescente, você fez parte”, conta.

Fernanda ainda destaca que a qualidade mais importante que um professor deve ter é a autorreflexão. “A formação em si é importante, a formação acadêmica, diante das demandas que a gente está tendo hoje em dia na sociedade, acredito que cada vez mais a gente vai precisar. Mas não ter somente um leque de certificados e não parar para analisar sua própria formação. Eu acho que a autorreflexão, sim, é muito importante, tem que ser feita pelo próprio professor até para analisar o que está dando certo e o que está dando errado, está dando errado até porque a gente não acerta todos os dias”, salienta. “É ter esse olhar, é ter esse cuidado, porque a escola é uma extensão de casa. Esses ensinamentos também perpetuam”.

Reconhecer o trabalho dos professores é muito importante. Para Fernanda, todos deveriam parar e cumprimentar seus ex-professores ao se encontrarem na rua ou em algum momento. “Encontrou um professor na rua, muitas vezes ele não vai lembrar da gente, mas lembrem, reconheçam, porque é algo muito positivo e provavelmente vai mudar o dia daquele professor”, afirma.