Famílias que decidem morar em outro país podem ter dificuldades na educação de seus filhos. Uma nova cultura, novos costumes e um outro jeito de viver são elementos diferentes para a família, principalmente para as crianças e jovens. Para Claudia Waldmann, especialista em desenvolvimento infantil integrativo, a maior dificuldade para as famílias que vivem fora do país de origem é a falta de rede de apoio. “É a saudade que elas têm da família, a dificuldade, talvez um pouco, da adaptação do novo país, dependendo da cultura, do idioma. Eu vejo que isso abala muito uma estrutura familiar, se não tiver muito solidificada, e requer também muitas habilidades sociais, socioemocionais das crianças para se adaptar ao novo ambiente, as novas circunstâncias e também se desenvolverem como toda e qualquer criança em um ambiente saudável”, salienta.

A especialista destaca que é preciso que as famílias se integrem na cultura do novo país em que estão vivendo. Muitas famílias buscam manter amizades com pessoas de seu país de origem, mas, conforme Cláudia, é importante também fazer amizades com os moradores locais. “A gente precisa fazer uma imersão verdadeira naquele país, tanto na cultura quanto no idioma. Tentar se integrar, tentar ter amigos internacionais ou daquela cultura, eu acho que isso é essencial para a criança se sentir pertencente, porque, se não, ela e a família sempre vão se sentir um peixinho fora d’água, que não se adapta, que não entende a cultura, que não entende o idioma, que não entende aqueles costumes e isso pode mexer um pouco com a criança, porque toda criança e todo ser humano gostaria de se sentir, a gente fala, útil, aceito e importante. Então, o pertencimento à sociedade, o pertencimento na família é essencial para a criança se sentir bem e se sentir segura”, destaca.

Claudia já morou na Alemanha, França e atualmente está na Dinamarca. “Eu não sabia falar dinamarquês e ainda não sei, mas estou aprendendo, meus filhos também, a minha família toda está aprendendo, porque eu acho que isso faz parte, então é um desafio”, salienta. O assunto foi abordado em entrevista com a especialista. Ouça mais sobre o tema:

 

Da mesma forma que é importante se integrar na cultura do novo país, também é essencial manter as ligações com o país de origem. Conforme Claudia, um bom hábito é ler livros do país em que nasceu e viveu boa parte da vida. “É uma maneira muito legal de aprendizado para criança, tanto da literatura brasileira quanto desenvolver habilidades socioemocionais, comportamentais. Eu acho que é um ótimo vínculo também para criar uma conexão com os pais. Os pais que leem histórias para as crianças, acho que isso é algo muito importante, ainda mais nos dias de hoje que a gente tem tão pouco tempo de conexão com as nossas crianças”, reforça.