Aos 74 anos, Ademir Teotônio, conhecido pelo apelido de Pipa, carrega uma trajetória de quase uma vida inteira dedicada à música. Natural de Laguna, Pipa passou a sua infância e juventude em Urussanga, na comunidade de Santana. Ademir começou a tocar bateria ainda aos 12 anos e, desde então, acompanhou diferentes gerações da música regional. Em entrevista, Pipa contou que faz parte de uma família de 16 filhos, a maioria com nome de artistas da época, como Paulo Sérgio e Elis Regina. Pipa relembrou que se interessou pela bateria ao acompanhar a banda Mister Som, que existia na sua infância. “Eu gostava tanto, ia lá ver os ensaios deles, aí eu ficava olhando os ensaios, olhava e fazia com a boca, fazia um som de disco”, disse. “Aí eu ia lá na bateria tentar fazer, chegava da escola com a caixa, com as canetinhas, batia com a mão e foi levando e levando”, falou, acrescentando que, com o tempo, assumiu o lugar de Wilson Facão, que era o baterista da Mister Som.
Depois da banda Mister Som, Pipa fez parte do grupo Os Impossíveis. “Na época, era muito difícil de músico, entende? Então ficava sempre o mesmo músico, a gente só mudava o nome”, falou. “Durou pouco tempo também, porque depois aí começamos já a desentender. Um desentendeu, outro levou o aparelho para casa, outro levou a guitarra, outro levou a bateria, cada um para o seu lado”, comentou. Foi com o fim dessa banda que Pipa decidiu se mudar para Joinville e, depois, para São Paulo. Embora estivesse trabalhando fora da música, a música nunca saiu da cabeça de Pipa. “Tocava sempre, sempre atualizado, sempre a gente estava ligado, sempre botava uma música e tu ficava só curtindo a bateria”, relembrou. Quando retornou de São Paulo, no início dos anos 2000, Pipa ingressou em uma nova banda.
Entre as formações pelas quais passou esteve Os Bravos, grupo que ganhou notoriedade nos bailes do Sul catarinense. A banda chegou a percorrer cidades como Araranguá e Sombrio, transportando músicos e equipamentos em uma Kombi. “Era famosa, nós tocamos por tudo”, contou. Foi durante essa época que Pipa passou por uma situação que se lembra até hoje rindo. A banda tocou em um baile de carnaval na Sociedade Clube 12 de Outubro, em Pedras Grandes. Ao irem embora, a banda passou por uma parreira e decidiu pegar um cacho de uva para comer. “Tudo uniformizado, estávamos na beca. Saltamos para pegar uva nessa parreira. Aí o dono da parreira abriu a janela e ouviu o barulho: ‘como é que é? Vocês não pedem? Perai que eu peguei a espingarda'”, contou. Foi aí que a banda fugiu do local com a Kombi antes do dono da parreira retornar com a espingarda para espantar os integrantes do grupo. Pipa participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e relembrou mais sobre a sua história de vida. Confira:
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