Com o objetivo de valorizar a história, os saberes, a cultura e o conhecimento dos povos negros, a Escola Barão do Rio Branco irá promover a primeira Feira Afro. A ação ocorre na tarde desta quarta-feira, dia 19, das 13h às 15h, na própria escola, e é voltada para os alunos e os colaboradores. De acordo com a professora Raquel Patrícia Dias de Jesus, a ideia de realizar a feira surgiu em conversa com outras professoras da instituição. “O nome da feira é Ecoar Vozes Negras na Escola. Esse nome, Ecoar, que essas vozes ecoem pela escola, mas que também seja fora dos portões da escola, que essas vozes ecoem, tenham essa força que a voz negra, que o povo negro tem”, comentou.
A feira contará com a exposição de trabalhos dos alunos, além de apresentações artísticas. A ação também contará com a palestra da coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Normélia Ondina Lalau de Farias, e da Miss Santa Catarina, Pietra Travassos. “Os alunos vão ter o privilégio, a honra, de estar com duas pessoas ali que têm todo o domínio para estarem conversando com eles”, destacou. Representantes da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) também irão estar presentes na primeira Feira Agro da Escola Barão do Rio Branco.
A professora Agatha Ferreira pontuou que a instituição conta com um número expressivo de alunos afrodescendentes. “Muitas vezes essas meninas, esses meninos, eles não se aceitam, os estereótipos, o nariz grande, o cabelo crespo e, isso tudo, essas palestrantes vão estar auxiliando”, disse. “Se uma criança pequena já sabe, desde pequena, que ela é bonita, que o cabelo crespo dela valoriza ela, que o nariz grande dela é bonito também, quando outra criança vir fazer uma piada sem graça, um bullying, ela já vai saber se defender”, comentou. A professora Priscila Rodrigues Carneiro também auxiliou no desenvolvimento da feira. Segundo a docente, todas as turmas, do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, realizaram diferentes pesquisas e trabalhos para a feira. “Eles pesquisaram cientistas negros, invenções negras, para que eles consigam se enxergar também nesses momentos, nessas áreas. Muitas vezes, na escola, a gente trabalha escravidão, a gente trabalha o sofrimento e sempre nesses pontos que são tristes da nossa história. A gente deixa de trazer alegria, a contribuição, as coisas boas que o nosso povo trouxe para gente”, pontuou.
O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com as professoras no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra e entenda:
As professoras também destacaram a importância de abordar a temática durante todo o ano, e não apenas em datas específicas, como o Dia da Consciência Negra, lembrada no fim de novembro. O trabalho desenvolvido com os alunos busca ampliar o conhecimento sobre a contribuição da população negra em diferentes áreas, como ciência, cultura, música, culinária, esporte e educação, valorizando a representatividade para além das abordagens históricas relacionadas exclusivamente à escravidão e ao sofrimento. Por ser a primeira edição, a Feira Cultural Afro-Brasileira será realizada inicialmente apenas para a comunidade escolar. A expectativa, no entanto, é avaliar o evento para que uma próxima edição seja ampliada e possa ser aberta à participação do público.



































