Ao longo de quase 50 anos, Manoel Dias Prado transformou a fotografia em profissão, negócio e, principalmente, em uma forma de preservar a memória de gerações. Natural do Planalto Serrano, Manoel se mudou com a família para o Paraná ainda bebê, aos oito meses de idade. Aos 19 anos, Manoel retornou para o Sul catarinense e passou a morar em Criciúma. Como não conseguiu um trabalho na cidade, Prado iniciou sua trajetória profissional na empresa Ceusa, em Urussanga. “Eu comecei a trabalhar na Ceusa, mas eu tinha meio dia de folga. Minha esposa trabalhava no mercadão, ao lado do Foto Neves”, relembrou. Em entrevista, Prado contou que fazia fotos já quando criança, aos 10 anos. “Eu trabalhava em uma loja e o meu amiguinho, o pai dele, era fotógrafo. Então, como nós dois éramos pobres e não tinha muito beleza, para nós chegarmos nas meninas, nós fotografávamos, revelávamos as fotografias, que era feito tudo de preto e branco, depois nós dávamos de presente para nós termos um meio de chegar nos amiguinhos, criar um relacionamento”, recordou.

A esposa de Prado, Lucélia Nascimento Prado, sabendo dessa história, contou aos donos da loja de fotos que o marido tinha um conhecimento básico sobre fotografia. Foi assim que Manoel deu seus primeiros passos mais sólidos no ramo: na Foto Neves. Prado trabalhava na empresa cerâmica das 5h às 13h. Ele saia da Ceusa a pé e ia até sua casa, no bairro Baixada Fluminense, para almoçar e se preparar para a segunda jornada do dia. “14h, 14h15, eu já estava no Foto Neves, já trabalhava até as 19h”, falou. Cerca de um ano depois, surgiu a oportunidade de entrar como sócio em um novo empreendimento. A sociedade durou aproximadamente um ano, entre 1978 e 1979, até que Prado decidiu seguir seu próprio caminho. “Ele vendeu a parte dele e nós alugamos o casarão Nichele. Minha mulher passou ali e alugou o casarão Nichele. Aí começou o Foto Prado, trabalhamos um ano ali, sem alvará”, contou.

O local tinha duas portas estreitas e uma janela que servia como vitrine. Mesmo com dificuldades estruturais e sem alvará inicialmente, o negócio começou a conquistar espaço. Prado lembra que, naquela época, a fotografia exigia muito mais trabalho manual. Os filmes tinham capacidade limitada, geralmente 12, 24 ou 36 poses. Depois de fotografar, era necessário revelar os negativos, produzir cópias e montar os álbuns. Segundo Prado, era preciso muito cuidado ao armazenar as fotos, já que elas perdiam a qualidade com o passar do tempo e por conta da claridade. “Eu perdi muita coisa ali no casarão, porque choveu, tinha infiltração, uma época caiu o telhado do casarão, eu estava ali, molhou várias coisas. Perdi muito material, inclusive perdi do acidente dos mineiros, perdi o centenário”, disse.

Depois, com o passar dos anos, Prado e sua esposa conseguiram adquirir uma sala para a loja. Por volta dos anos 1990, Prado pensou em construir uma edificação comercial que abrangesse outros estabelecimentos e trouxesse movimento de pessoas para ambos negócios. Na negociação com a construtora, também fez questão de definir detalhes do espaço: queria as duas salas do térreo, com sobreloja, para instalar o Foto Prado. Por conta disso, pacientes de dentistas que atendiam no prédio, nos outros andares, passavam diariamente pela loja de fotografias, o que fazia o negócio girar ainda mais. Manoel Dias Prado participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e relembrou mais sobre sua história de vida e trajetória profissional. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Prado e sua esposa tiveram dois filhos. Ambos contribuíram para o sucesso da Foto Prado. Hoje, o filho Allan Dias Prado segue realizando os trabalhos na loja. Mesmo morando em Cocal do Sul, Prado continua ligado à fotografia. Ele costuma ir à loja às sextas-feiras para ajudar o filho e ainda participa de eventos e casamentos nos fins de semana. As antigas máquinas que guarda hoje funcionam como lembranças de uma época em que cada fotografia exigia planejamento, conhecimento técnico e trabalho manual. Ao mesmo tempo, representam a história de um profissional que acompanhou a transformação da fotografia e ajudou a registrar parte da memória de Urussanga e da região.

Confira a entrevista também em vídeo: