Há pouco mais de um ano, a jornalista Michele Martins Picolo realizava seus exames de rotina. Sem sintomas ou sinais que pudessem alertar algo de diferente, Michele descobriu um câncer de mama. Segundo a jornalista, foram detectados dois nódulos que não existiam até então no ano anterior. “A partir daquele momento começou todo o meu processo de tratamento, aquela correria que a gente tem, aquele chão que parece que se abre e a gente não consegue entender por que aquilo está acontecendo com a gente”, conta. “Mas, graças a Deus, eu consegui, com a ajuda de uma rede de apoio muito grande, com a ajuda da minha família e de amigos, enfim, eu consegui superar o tratamento”, complementa.

Michele afirma que o momento mais desafiador foi, realmente, o dia de seu diagnóstico. “Quando a gente recebe aquela informação, ainda mais quando a gente não está esperando, e aí tu fica assim um pouco pensativa. A gente fica… como é que vai ser, né, encarar e passar por tudo aquilo?”, comenta. Michele atua há mais de 13 anos na assessoria de comunicação do Bairro da Juventude, instituição de Criciúma que atende crianças, jovens e suas famílias. A história de vida de Michele foi abordada em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça mais:

 

Para Michele, três fatores foram fundamentais para passar pelo tratamento: a fé, atividade física e alimentação. “O lado espiritual e a fé são fundamentais nesse momento, a gente, o ser humano, ele não entende a força que tem até passar por esses momentos de desafios. Então, a fé é importantíssima nesse momento”, destaca. “A questão da atividade física e da alimentação, esses dois, essa dupla, faz diferença muito grande em todo o processo, porque nós precisamos ativar o nosso corpo de uma forma positiva. Nesse momento do câncer, a gente precisa mais que tudo deixar o corpo trabalhando a nosso favor”, acrescenta.

Após um ano, Michele já concluiu a quimioterapia e a radioterapia, além de ter passado por uma mastectomia. Atualmente, a jornalista toma uma medicação diária para bloquear a produção de hormônios, além de realizar uma injeção a cada três meses. Durante todo o processo, Michele contou com o apoio de diversas pessoas. “Eu acabo passando muitas informações também pelas minhas redes sociais, então desde esse primeiro momento, que eu tornei público, e também minha família e amigos próximos ficaram sabendo, toda essa energia que a gente recebe é essencial, sem essa energia positiva tudo fica mais difícil” salienta.

A família de Michele é composta por muitas mulheres, sendo que ela foi a primeira a desenvolver um câncer de mama. “Eu não desenvolvi por algo genético, eu acabei desenvolvendo por alguma outra coisa, é uma doença multifatorial, a gente não tem uma causa só que identifica o câncer, são vários fatores que podem contribuir”, explica. “Às vezes as pessoas acham que ‘a minha mãe nunca apresentou’, ‘a irmã nunca apresentou’, ‘então tô segura’. Não, não é por aí. Então, o cuidado e a prevenção sempre são fundamentais”, destaca a jornalista.

A forma de lidar com a doença também foi valorizada na família. Na época do diagnóstico, a filha de Michele tinha 5 anos de idade e não entendia o que estava acontecendo. Por conta disso, Michele não quis contar a filha sobre a doença que estava passando. Quando os cabelos começaram a cair por conta do tratamento, Michele teve uma ideia inusitada. “Eu falei para ela que eu tinha passado um shampoo que não tinha dado muito certo e que meu cabelo estava caindo. E aí eu perguntei se ela queria cortar o meu cabelo. E aí, imagina, dar uma tesoura na mão de uma criança de 5 anos, ela fez a festa”, relembra. Segundo ela, até hoje a filha pensa que o cabelo caiu por conta do shampoo. “Foi uma maneira que eu encontrei de deixar aquele momento um pouco mais leve, tanto para mim quanto para ela”, diz.

No início, com o diagnóstico, Michele conta que pensou em sua filha e no quanto não poderia desistir naquele momento. “A gente tem dois caminhos. Quando você está com a doença: ou você segue, vou em frente, vou encarar; ou, eu pensava comigo, eu vou desistir e ficar em cima de uma cama e esperar para ver o que vai dar. E a segunda opção nunca passou pela minha cabeça. Eu sempre pensei comigo: eu quero viver, eu vou viver e vou conseguir sair dessa. Essa doença chegou a mim, mas não vai ser ela que vai me levar”, recorda.