O oceano enfrenta diversos desafios e problemas causados pelo próprio ser humano. Apesar de serem várias as dificuldades, há três mais relevantes, de acordo com a engenheira pela Unesp, mestranda em Ciência e Tecnologia do Mar na Unifesp e coordenadora do Projeto TransforMAR, Giovanna Scagnolatto. “Primeiro é a poluição, mas a poluição tanto por químicos provenientes de embarcação, resíduos de combustível, petróleo, esgoto industrial não tratado, quanto a poluição por esgoto doméstico”, conta. “Nós temos a poluição por lixo também, que o principal agravante é o plástico, pela alta durabilidade, por ele quebrar em diversos pedaços que a gente chama de microplástico”, acrescenta. “Nós temos também a exploração massiva dos recursos pesqueiros, que é o que a gente chama de sobrepesca, que é quando a gente pesca além da capacidade de produção das espécies”, destaca ainda Giovanna.

A pesquisadora explica que essa degradação afeta a saúde das comunidades costeiras. “Elas vivem na área costeira e majoritariamente elas tiram o sustento de suas famílias desse local. Essa poluição e degradação impacta diretamente eles de diversas maneiras, como, por exemplo, o comprometimento da qualidade da água, a redução na oferta de alimento, o aumento à exposição de substâncias tóxicas, a contaminação por metais pesados e microplásticos que pode impactar a pesca e, consequentemente, quem consome esse alimento contaminado”, afirma. “Nós temos outros impactos também: a destruição dos habitats costeiros, como os recifes ou os manguezais, que reduzem a proteção natural que esse ambiente proporciona para a zona costeira, pincipalmente em eventos extremos que estão sendo vivenciados cada dia”, ressalta.

A engenheira Giovanna participou de entrevista e falou mais sobre o assunto no Ponto de Encontro. Ouça na íntegra:

 

Estudos salientam ainda que há uma relação entre as mudanças climáticas vivenciadas por todo o mundo e a degradação dos oceanos. Segundo Giovanna, isso acontece porque as mudanças climáticas provocam o aumento da temperatura da água dos oceanos, além da acidificação e a elevação do nível do mar pelo derretimento das calotas. “O aquecimento compromete, por exemplo, ecossistemas sensíveis, como os recifes de coral. Os recifes de coral, apesar de eles cobrirem cerca de 1% do assoalho oceânico, eles dão suporte para 25% de toda a vida marinha. Então, essa grande biodiversidade que a gente tem no mar depende do recife para alimentação, para abrigo ou proteção em alguma fase da vida, e se elas não têm esse ambiente, toda essa espécie marinha é impactada e pode até chegar nos seres humanos, trazendo impactos para a pesca, por exemplo, afetando a economia, afetando a segurança alimentar de diversas comunidades”, esclarece.

Giovanna reforça que a educação ambiental é uma ferramenta muito importante para enfrentar às crises ambientais. “Ela pode transformar a relação das pessoas com o oceano promovendo conhecimento, conscientização e mudança de comportamento. As pessoas, ao entender a importância do oceano para a vida do planeta e da própria humanidade, cria um senso de responsabilidade e de pertencimento, passando a valorizar e proteger esse ambiente”, diz. “Eu acredito muito que, além da educação ambiental, incentivar escolhas individuais, mais sustentáveis, é influenciar as pessoas a lutarem no coletivo, por uma mudança real, uma mudança nas estruturas que realmente vão fazer a diferença”, frisa a pesquisadora.

O assunto foi destaque em um artigo da Agência Bori escrito por Giovanna e pelo engenheiro pela Unicamp, mestrando em Ciência e Tecnologia do Mar na Unifesp e diretor e fundador do Projeto TransforMAR, Alexandre Augusto da Silva; pela graduanda em Ciências Biológicas e educadora ambiental do Projeto TransforMAR, Emerice Simplício Mavinga; e pela graduanda de Ciências Biológicas e educadora ambiental do Projeto TransforMAR, Larissa Roio Ribeiro. Leia o artigo CLICANDO AQUI.