A Polícia Militar de Urussanga reconhece a preocupação da comunidade diante dos acontecimentos recentes, como furtos registrados no comércio. De acordo com o comandante da PM, capitão Valdir Cristóvão, o município estava em uma decrescente no primeiro semestre de 2026. “Nos meses de julho e agosto esse número começou a aumentar. Então passou de 10 para 12 e, no mês de agosto, nós registramos 15 furtos”, contou. Segundo o capitão, a PM já realiza operações e varreduras na cidade, que devem ser intensificadas a partir das próximas semanas, com a chegada de novos reforços para a guarnição. “Nós vamos receber quatro policiais militares temporários que já estão num curso de formação lá em Içara. Eles virão para Urussanga e eles serão empregados no policiamento ostensivo. Eles vão resgatar aquela sensação de segurança na cidade de Urussanga. Então, eles vão estar nas praças, estarão nas escolas, estarão no interior. Eles serão distribuídos de forma estratégica para que eles consigam ampliar a nossa capacidade de entrega à comunidade”, garantiu.
No entanto, o comandante reforçou que a segurança pública é uma responsabilidade de toda a população. “Não é a Polícia Militar sozinha quem vai resolver o problema da criminalidade de uma determinada cidade. Nós precisamos do engajamento da comunidade, nós precisamos de pessoas que tragam críticas construtivas, que venham trazer informações que venham solucionar ou minimizar problemas na própria comunidade”, comentou. Em entrevista, o capitão Cristóvão destacou a importância de ações realizadas junto à comunidade, como o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) e a Rede de Vizinhos. “Isso é prevenção, isso é um trabalho contínuo que a comunidade faz em conjunto com a Polícia Militar. Não podemos agora, no momento de clamor, vir com soluções que vão de um dia para o outro resolver a segurança. Não funciona dessa forma. Então, o nosso trabalho é mais preventivo do que de pronta resposta”, pontuou.
O capitão ainda explicou que há um padrão internacional para avaliar o nível de segurança de uma cidade. Essa avaliação é baseada no número de letalidade violenta, antes chamada de homicídio. Conforme Cristóvão, o último homicídio registrado em Urussanga é de 2023. “Esse número que a gente trata aqui de forma bruta dá o indicativo de que a cidade de Urussanga é uma cidade que é segura. Mas, por outro lado, cidade segura não significa cidade sem crimes. É uma realidade que existe em todas as cidades, seja ela segura ou insegura. O crime faz parte daquela cidade. É impossível que nós, enquanto órgãos de segurança, evitamos todos os crimes da cidade. É humanamente impossível. Então, o crime vai ocorrer. O que nós temos que fazer é evitar, com todos os esforços, para que os números não ultrapassem aquilo que é socialmente aceitável”, afirmou. “Não estou aqui minimizando e não estou naturalizando o crime. Só tenho a dizer que o crime faz parte. Isso não está imune a crimes. Não é uma cidade que vai ter zero crimes. Seria o ideal, mas existe”, acrescentou, destacando que outros municípios da região possuem índices maiores de criminalidade. “Não é impossível que esses criminosos de outros municípios venham para a cidade, cometam os crimes e retornem para os seus locais”, salientou.
O comandante da PM ainda citou um recente caso registrado, no qual três indivíduos encapuzados arrombaram e furtaram bebidas de um estabelecimento comercial em Urussanga. Segundo Cristóvão, a resposta da PM no pós-crime foi em menos de 12 horas. “Nós trabalhamos em rede junto à inteligência de Içara e de Criciúma, onde foi apreendido um adolescente suspeito de três crimes de furto, sendo um aqui em Urussanga, outro em Balneário Rincão (tentativa) e um outro em Criciúma”, falou. “Ele foi apreendido e, claro que em razão de ser adolescente, ele está na rua, mas ele vai responder pelo ato infracional. Os outros dois suspeitos já foram identificados, então eles não são de Urussanga, eles são de Criciúma”, contou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o capitão Cristóvão no programa Comando Marconi. Ouça na íntegra:
Parte 01
Parte 02
O comandante destacou que a população não deve entrar em desespero. Além disso, o capitão salientou que é importante que as pessoas se protejam. “No sentido de reavaliarem o local onde elas moram, onde elas têm o comércio, onde frequentam, muitas vezes onde estacionam o seu veículo, para poder criar dificuldades ao criminoso”, observou. Para Cristóvão, a responsabilidade pelos crimes de furtos e roubos é exclusivamente dos criminosos que os cometem. O capitão explicou que os autores avaliam o esforço necessário para cometer um crime e a possível recompensa. Dessa forma, estabelecimentos e residências que apresentam maior facilidade de acesso podem se tornar alvos mais atrativos. Por isso, o comandante orientou que comerciantes e moradores não adotem medidas de segurança apenas após serem vítimas de um crime, mas busquem antecipadamente reduzir as facilidades para a ação criminosa. “Assim a cidade vai se tornando mais segura, vai se tornando mais difícil para o criminoso cometer o crime”, reforçou.



































