Nascida na comunidade de Rio Barro Vermelho, Neide de Pellegrin cresceu e passou a maior parte de seus anos em Urussanga. A sua trajetória é marcada pela educação, pelo envolvimento comunitário e, principalmente, pela preservação da cultura italiana. Ainda durante a infância, Neide contou que seu pai e seus tios trabalhavam na Epagri. Nessa mesma época, o pai de Neide resolveu abrir uma padaria no bairro Centro, no qual a mãe atuava nos serviços. Neide relembrou que, quando era criança, era considerada “arteira” na escola. “Um dia, não sei o que a professora me fez, eu chorei e fui embora. Não cheguei na padaria, eu fiquei escondida lá atrás, onde tinha o forno de pão. Mas, quando eu cheguei em casa, a mãe já sabia, fazia tempo que eu tinha aprontado com a professora”, relembrou. As lembranças da infância incluem brincadeiras pelas ruas da cidade, a convivência com outras famílias e as dificuldades enfrentadas para ter acesso à educação. Neide estudou na Escola Barão do Rio Branco e no Colégio Rainha do Mundo. Em entrevista, a urussanguense contou que o Colégio Rainha do Mundo foi construído com o apoio dos pais.

Em entrevista, Neide recordou dos anos em que estudou no Colégio Rainha do Mundo, que passou a ser administrado pelas irmãs religiosas. “A gente não podia usar a saia do uniforme um dedo para cima do joelho, a gente não podia fazer ginástica com shortinho, nem era um shortinho, era uma espécie de bermuda, mas cheia de coisas”, contou. Uma das professoras de Neide foi a senhora Iva Damiani, que usava um apito durante as aulas e as atividades no colégio. “A gente fazia para ajudar o colégio. A gente fazia a sala mais bonita, a gente levava planta, a gente levava uma cerinha para encerar o chão, enquanto o colégio foi crescendo”, pontuou. Neide de Pellegrin participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e relembrou mais sobre a sua história de vida. Confira:

Parte 01

 

Parte 02

 

Após se tornar professora, Neide passou a morar em Cocal do Sul. Isso ocorreu porque a urussanguense era concursada do Governo de Santa Catarina e passou a trabalhar em escolas do distrito de Urussanga. Neide trabalhou na Escola Professor Padre Schuler e foi diretora da Escola Francisca Búrigo. “Quando eu fui diretora, eu consegui fazer a escola crescer, porque eram duas salinhas”, recordou. Durante os anos de docente, Neide também atuou em outras instituições, inclusive particulares. “Eu fui uma menina que tinha de tudo. Minha mãe não deixava faltar nada, meu pai não deixava a gente comprar muita coisa, mas se precisasse um livro, um lápis, uma caneta, sempre tinha. Nunca reclamava”, comentou, referindo-se aos estudos que foram incentivados desde cedo.

Neide é fundadora do grupo folclórico Vino, Amore e Tradizione. Uma das primeiras apresentações ocorreu durante a programação de uma edição da festa Ritorno Alle Origini. “Eu peguei uns alunos e nós fizemos uma participação no desfile”, disse. “Nós fizemos uma roupa, que não era nada, a gente fez um desfile, a gente preparou um carro. Então eu fiz um monte de flores de palha de milho. O meu pai, para ajudar a gente, foi lá no mato, pegou um carro cheio de samambaia, nós forramos o carrinho e nós fomos desfilar”, contou, relembrando que, na época, muitas pessoas falaram que somente crianças podiam participar dos desfiles. “A gente foi no ano seguinte, as pessoas começaram também. Foi onde desenvolveu o desfile das Festas dos Vinho e do Ritorno Alle Origini”, contou.

Com o grupo da dança, Neide participou de várias apresentações culturais. “Encontros por tudo: Florianópolis, Bento Gonçalves, Laguna, Tubarão, no estado inteiro, chegamos até perto de Curitiba”, falou. Foram quase 20 anos do grupo Vino, Amore e Tradizione. Em determinado período, o grupo chegou a reunir entre sete e nove casais, que cuidavam dos próprios trajes e participavam das apresentações movidos principalmente pelo amor à cultura. A preocupação com a autenticidade das manifestações culturais continua presente. Neide defende que cada traje e cada dança devem respeitar a região italiana que representam, evitando a mistura de elementos de diferentes tradições apenas para criar uma caracterização genérica de “italianidade”.

Confira a entrevista também em vídeo:

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