O afastamento do prefeito de Urussanga, Luis Gustavo Cancellier (PP), completará um ano nesta sexta-feira, dia 20, e as informações sobre o caso ainda repercutem. Na segunda-feira, dia 16, a sessão extraordinária da Comissão de Investigação e Processante (CIP) foi arquivada sem haver a votação do mérito. A CIP iria decidir se o mandato de Cancellier seria cassado ou não. Há quase um ano, a Polícia Federal desencadeava a Operação Benedetta em Urussanga, o que gerou o afastamento do prefeito desde então. A ação visava investigar possível má aplicação de recursos públicos contratados por município com a Caixa Econômica Federal, pelo Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa).

Quem fez a representação para a Polícia Federal, em 2020, foi o então vereador, Júlio César Bonetti, junto com o ex-vice-prefeito, Luiz Henrique Martins. De acordo com Bonetti, as suspeitas de desvios começaram por conta das obras na rua Silvio Ferraro, no bairro Da Estação. “Fizemos essa representação junto à Polícia Federal em virtude da dificuldade que nós estávamos tendo de fiscalizar essa obra do Finisa”, comentou. “Nós achamos, na época, que era um volume de dinheiro muito alto para o município de Urussanga, sendo que não havia uma fiscalização por parte da Caixa Econômica Federal”, completou.

Júlio explicou que os dois começaram a fazer requerimentos solicitando informações sobre os gastos das obras para a prefeitura. No entanto, de acordo com Júlio, a prefeitura respondia que os dados estavam presentes no Portal da Transparência. “Eu estive junto com um servidor da prefeitura municipal de Urussanga, a gente marcou uma reunião. Nós fomos lá, procuramos no Portal da Transparência o custo da obra, eles também não conseguiram retirar. O que se consegue no Portal da Transparência é o pagamento de uma nota fiscal específica”, disse.

“Eu fico muito tranquilo em relação a representação que a gente fez na Polícia Federal, porque eu comuniquei que iria fazê-lo se eu não tivesse as respostas da prefeitura, eu iria fazer a denúncia no Ministério Público Federal. Isso eu comuniquei por várias vezes, tanto que o último requerimento que eu fiz, eu prorroguei por três vezes, verbalmente, para eles me entregarem. Até que chegou numa quarta-feira, eu disse: hoje vai ser o último dia que eu vou aguardar vocês, se vocês não quiserem me entregar, não tem problema nenhum, mas eu vou denunciá-los no Ministério Público Federal”, contou.

Júlio relatou que, com a nova negativa por parte da prefeitura, ele foi ao Tribunal de Contas buscar as notas sobre os valores das obras. O ex-vereador disse que fez um levantamento de todas as notas que haviam, como as horas máquinas. Bonetti falou que percebeu que na rua Silvio Ferraro, rua em que morou por muito tempo, havia um valor de obra que já tinha sido extrapolado. Isso porque constava um valor de horas máquinas, sendo que, segundo Júlio, não havia nenhuma máquina trabalhando no local. “Foi aí que partiu toda a indignação e toda essa suspeita de desvio de verbas”, afirmou.

Júlio participou de entrevista no programa Comando Marconi sobre o assunto. Confira na íntegra:

 

“Urussanga está precisando passar por isso. Política é para quem gosta de pessoas, não é para quem quer nada em troca. Entrar na política para benefício próprio é fazer politicagem, aí dá no que deu. A situação de Urussanga está do jeito que está porque entrou na política pessoas que não pensam nas outras pessoas, que usam isso como cortina de fumaça para fazer o que fez. E aí vamos aguardar o que vai vir, se vai ser acatado e se vai responder um processo ou se vai ser arquivado”, ressaltou.

O ex-vereador também comentou a respeito da recente entrevista de Cancellier para a Rádio Marconi (leia a seguir). “Ele tá querendo dizer para a população que isso é uma briga entre o PP e o MDB, e não é. Eu não sou filiado ao MDB, eu não sou filiado ao PP. Eu fiz isso enquanto vereador na época eu estava no PT, hoje eu não tenho uma filiação partidária. Mas eu fiz isso como cidadão. Então ele está tentando usar como cortina de fumaça. Essa é a estratégia dele, está parecendo um ninja cheio de bolinha de fumaça no bolso”, falou. Júlio ainda disse que muitas pessoas estão saindo do PP de Urussanga e que isso prejudica ainda mais o partido, já que as pessoas de “bem” precisam estar junto.

Bonetti finalizou a entrevista dizendo que se preocupou com a fala do prefeito afastado em dizer que a população queria ver ele por mais quatro anos à frente da cidade. “Porque se ele fizer, se ele retornar e fizer nos próximos dois anos o que ele fez nos últimos quatro anos nós vamos ter que vender o patrimônio do município de Urussanga”, afirmou.

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Karine Possamai Della / Da Redação