A maior parte dos problemas ortopédicos pode ser evitada com mudanças simples nos hábitos de vida. Sem a necessidade de um procedimento cirúrgico, é possível reduzir as dores do dia a dia e garantir uma melhor qualidade de vida. Essas constatações são do doutor Filipe Giordani Schimidtz, médico ortopedista há 17 anos. O especialista mencionou um levantamento que mostra que a principal causa de morte, no Brasil, são as doenças cardiovasculares, com 27%, seguido dos tumores e cânceres, com 13% e das causas externas, 12%, contemplando a ortopedia. “A gente vê nos últimos 20, 30 anos, que as causas externas estão reduzindo muito. Então a gente está conseguindo prevenir acidentes, a gente está conseguindo reduzir os fatores de risco que levam as pessoas a morrerem de causas evitáveis e, com isso, a gente consegue controlar”, destacou.
Segundo o doutor Filipe, muitos problemas ortopédicos são resultado de acidentes, seja de trânsito ou de trabalho, além de doenças relacionadas ao esforço repetitivo, especialmente entre agricultores e trabalhadores da indústria. “Nós temos muitos acidentes que são evitáveis, tanto acidentes de trânsito, e aí entram as motos, quanto acidentes de trabalho, que muitas vezes não levam a pessoa a óbito, mas podem causar uma lesão gravíssima que pode prejudicar a qualidade de vida para o resto da vida dessa pessoa, causando uma deficiência física que possa comprometer a qualidade de vida”, comentou. O ortopedista salientou que há muitos trabalhadores que possuem problemas ergonômicos na execução de um serviço, prejudicando a qualidade de vida. “Isso gera doenças ocupacionais que constituem a grande parte dos pacientes do SUS”, pontuou.
Filipe destacou que há muitas pessoas que não tem esses problemas ergonômicos, mas acabam tendo dificuldade devido ao estilo de vida que levam. “Tem trabalho que não é pesado, mas é um trabalho desgastante. A pessoa acaba não se alimentando direito em casa, chega em casa cansado, não vai fazer uma atividade física para ter uma musculatura adequada, um alongamento bom, e aí decorrente dessa falta de ‘educação corporal’, acabam surgindo dores que muitas vezes poderiam ser evitáveis simplesmente com mudanças simples nos hábitos de vida”, esclareceu. O doutor Filipe participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e destacou mais sobre o tema. Ouça:
A área da ortopedia pode ser dividida em dois ramos: a traumatologia e os casos degenerativos. Durante muitos anos, o doutor Filipe atuou nas urgências, que lidam especialmente com traumas. Em entrevista, o especialista relatou, quando atuava no Samu, era comum ter muitos atendimentos após um período de chuva. “O homem subiu no telhado para consertar o que caiu do telhado, e faz um acidente. O homem vai querer consertar aquela madeirinha que está quebrada, ele vai com uma makita e perde o dedo”, detalhou. Outra preocupação são com os idosos que, com o passar da idade, têm perda de massa óssea, deixando os ossos mais fracos. “Ao mesmo tempo que ele vai perdendo massa muscular, vai perdendo agilidade, e qualquer obstáculo que possa ter na casa, incluindo um tapete, pode ser uma armadilha. Ele vai cair, tropeçar no próprio tapete e vai fazer uma fratura grave de fêmur, que muitas vezes vai ter que operar. Essas fraturas são graves porque pacientes idosos já têm outros problemas de saúde”, disse.
Para o ortopedista, a prevenção continua sendo a principal aliada da saúde musculoesquelética. A adoção de hábitos simples, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, corrigir a postura, respeitar os limites do corpo e adotar medidas de segurança no trabalho, no trânsito e dentro de casa, pode evitar grande parte das lesões e reduzir a necessidade de procedimentos cirúrgicos. “80% dos casos da ortopedia são coisas fáceis de resolver, não é um medicamento caro, um medicamento específico que só um ortopedista não sei da onde conhece, não. Mudanças simples no hábito de vida, manter uma musculatura adequada, cuidar com a sarcopenia em idosos”, falou.



































