Mariângela Dal Bó Lapolli, a Janja, é uma das personalidades conhecidas da história de Urussanga. Nascida e criada desde sempre em terras urussanguenses, Janja teve o privilégio de ser criada por pessoas que a educaram de forma diferente. “Meu avô era um autodidata, passava todo o tempo lendo muito, escutando muita música clássica e era um apaixonado por piano, por poesia, conhecia o francês fluentemente, o latim, o inglês, e aprendeu tudo sozinho”, contou. “Na minha casa o regime sempre foi matriarcal. As mulheres sempre tiveram uma voz mais poderosa”, disse. Conforme Janja, sua avó era de uma família muito grande, que passava diariamente em sua casa. “Eu tive uma educação bem especial mesmo”, frisou.
A política foi algo que sempre esteve presente na vida de Janja, desde a infância, por causa da família. A avó de Janja era militante do PSD, adversário da UDN, enquanto o avô era filiado do Partido Comunista. “A gente sempre viveu um regime extremamente democrático e muito respeitoso. Ninguém impunha nada, cada um tinha liberdade para tomar suas decisões, ter as suas opiniões, inclusive nós. Nós éramos criados para termos esse senso bem crítico”, relembrou. Segundo Janja, o tema central de todos os dias na casa de seus avós, onde foi criada, era a política. “A minha avó e as minhas tias falavam todos os dias sobre política, principalmente falavam mal da UDN”, brincou.
Aos 10 anos, Janja já participava ativamente na política. Nessa época, a urussanguense lembra de ter contribuído na campanha política de Ivo Silveira ao cargo de governador. Junto com seu pai, que era simpatizante do MDB, Janja também participou de outras campanhas. “Eu participei de muitas campanhas mesmo sem ser eleitora, acompanhando o meu pai. Na campanha do Lydio De Brida, do Altair Giordani, eu não era eleitora ainda, mas eu trabalhei incansavelmente”, falou. Janja ainda trabalhou na campanha do doutor Ado Cassetari Vieira, que assumiu a prefeitura em 1983. Nessa época, Janja fez a campanha para o Ado, que era concorrente de Vanderlei Olívio Rosso, do MDB, que veio a se tornar seu esposo.
Após o doutor Ado se tornar prefeito, ele questionou Janja sobre qual cargo gostaria de assumir na administração municipal. Foi aí que Janja assumiu a Secretaria de Saúde e Assistência Social, que eram juntas na época. “Eu costumo dizer que a saúde é minha filha, nasceu comigo, ela não existia. Na época, era apenas a Janja, uma mesa e uma cadeira, e eu atendendo as pessoas”, disse. “Como eu sempre gostei muito de gente, e sempre tive um olhar muito atento com relação às pessoas, eu atendia uma média de 50, 60 pessoas por dia”, recordou. Janja ajudava pessoas com alimentação, caminhão de areião, dreno, passe de estudante, auxílio funeral e com outros serviços. “Eu ia conhecendo as pessoas, ouvindo suas histórias. Eu costumava fazer muita visita domiciliar. Todos os meses eu visitava os doentes, os idosos”, pontuou.
Janja também teve um papel importante no San Genaro, uma estrutura que existe dentro do Parque Municipal Ado Cassetari Vieira e que já foi um restaurante. A urussanguense esteve à frente do estabelecimento durante oito anos. “Fiz muito casamento, muita festa para empresa e foi um período, nossa, muito bom”, afirmou. Janja participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a sua história de vida, envolvimento na política e em trabalhos sociais. Ouça na íntegra e saiba mais:
Parte 01
Parte 02
Em 1989, quando Vanderlei assumiu como prefeito, Janja continuou suas atividades na Secretaria de Saúde. “Conversei com o doutor Ado, voltei para o MDB”, recordou. “Voltei para o MDB e o Vanderlei me convidou para ser secretária de Saúde. Aí nós construímos postos em Linha Pacheco, em Palmeira do Meio, em Armazém, em Rio Salto, em Belverede, no Rio Carvão”, comentou. De 1996 a 2000, Janja também atuou como vereadora em Urussanga. Ela não se candidatou à reeleição porque Vanderlei, já seu esposo, iria concorrer novamente como prefeito em 2000. “O Vanderlei achou que seria muito desleal para com os outros que eu também fosse candidata a vereadora”, contou. Em 2001, já como primeira-dama, Janja assumiu novamente a Secretaria de Saúde.
Em entrevista, Janja afirmou que ainda pensa em retornar para a política, sendo candidata a vereadora. “Justamente para defender, para ser a voz desse grupo de invisíveis que eu me preocupo tanto. Essas pessoas que hoje estão excluídas, esquecidas, que deveriam ser tratadas com mais respeito, mais carinho, com um atendimento diferenciado. Hoje me choca, me choca muito, a questão do atendimento, principalmente pelos órgãos públicos. É um atendimento frio e indiferente”, pontuou. “Eu estou pensando seriamente em ser a voz desse povo invisível que tanto contribuiu, tanto fez”, falou, acrescentando que ainda deseja defender mais a saúde. “Eu defino o meu tempo. Não é a sociedade, não são as pessoas. Eu defino o meu tempo. Enquanto eu estiver me atualizando, me sentindo útil, sendo produtiva, eu vou continuar trabalhando”, reforçou.






































