Morador de Urussanga há quase 40 anos, Aires Valentin Frozi contribuiu e ainda colabora em diversas áreas. Na agricultura, em vendas, no esporte, na comunicação e na política: esses são alguns dos setores no qual Aires já atuou ao longo da sua vida. “Oficialmente eu aposentei, mas não consigo parar. Consegui diminuir algumas situações e tal, mas parar totalmente não. A gente tem no sangue aquela cultura e aquela educação do italiano lá da Serra Gaúcha, que é a origem da minha família”, comentou. Aires nasceu no município de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, mas seu pai é da região de Caxias do Sul e sua mãe de Veranópolis. Aires ficou no município natal até os 7 anos de idade, quando a família decidiu se mudar para o interior do estado do Paraná.

De uma família de cinco irmãos, Aires desde cedo ajudou seus pais nos trabalhos na agricultura. Porém, ainda jovem, Aires já pensava em algo diferente para seu futuro. “Já comecei a ameaçar a me escapar da roça, como a gente costuma dizer”, relembrou. “Eu comecei a perceber muito cedo que, para mim, o homem do campo é o homem que mais deveria ser apoiado pelo poder público, porque é o que mais sofre”, disse. Aires citou como exemplo uma família que investe todo seu dinheiro em uma plantação e corre o risco de perder tudo por conta do clima. “Nós fizemos uma lavoura de feijão. Na época de colher, deu 30 dias de chuva, estragou tudo na roça. Aquilo começou a me judiar, aquilo começou a entrar na minha cabeça ‘não quero roça, não quero roça’, até que eu consegui sair para uma cidade”, falou.

O primeiro emprego registrado de Aires foi na prefeitura de Cascavel, aos 17 anos de idade. “Eu ajudei a fazer o plano diretor da cidade de Cascavel, junto com grandes arquitetos, grandes desenhistas, arquitetos da equipe do Jaime Lerner, engenheiros da equipe do Mário Pereira, que foi vice-governador do estado do Paraná, pessoas fabulosas”, contou. No entanto, Aires continuou buscando novas oportunidades para crescer profissionalmente. O esporte também foi uma área que abriu várias portas para o gaúcho. Aires chegou a jogar na equipe de Cascavel, no grupo que foi campeão paranaense da Série B, em 1978. “Eu não era titular, eu tive problema de joelho muito cedo, mas eu participava do grupo”, relatou.

Foi através do esporte que Aires deu seus primeiros passos na comunicação. Ainda enquanto estava na prefeitura de Cascavel, um dos chefes de Aires também era narrador esportivo em uma rádio. “Ele me ensinou muita coisa no rádio”, disse. Em um determinado dia, o repórter da emissora não pode trabalhar e Aires foi colocado para reportar um jogo. “Foi onde eu comecei a pegar gosto por rádio, mas até então não me profissionalizei. Na realidade, teve um tempo que eu fiquei buscando o que eu queria fazer. Eu queria fazer uma boa faculdade, mas aí envolvia muito dinheiro e não consegui. Aí foi que, por vias do destino, eu acabei entrando no mercado de joias no início dos anos 1980”, contou.

A partir daí, Aires foi se aperfeiçoando no mercado de joias, passando por diversos estados e cidades. Durante alguns anos, Aires morou em Joinville e decidiu mudar de ramo. “Eu tenho um problema de pulmão desde garoto, que eu me intoxiquei com veneno na roça. Aquilo ficou me causando alguns problemas. A oficina de joias trabalha muito com ácidos fortes, nítricos, clorídrico, sulfato de sódio, água régia e um monte de porcaria”, comentou. Foi aí que Aires ingressou no ramo ótico. A intensão era montar sua própria ótica, mas um ponto comercial em Joinville era muito caro. Assim, Aires recebeu a proposta de adquirir uma ótica em Urussanga, onde chegou em maio de 1988 e mora desde então.

A filha de Aires, Camila, nasceu no dia 27 de maio, mesmo dia em que Aires comprou a ótica em Urussanga. Na nova cidade, Aires também teve a oportunidade de atuar na Rádio Marconi, ainda quando a emissora ficava localizada no Edifício Kennedy. “Eu comecei a fazer um programa à noite. Eu sempre gostei da tradição gaúcha, da cultura, da música”, falou. “Eu costumo dizer que a Rádio Marconi, além, claro, do meu esforço e de Deus, está entre os principais momentos da minha vida e um dos grandes sucessos da minha vida em Urussanga também está o microfone da Marconi”, pontuou. Aires participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e relembrou mais sobre sua trajetória pessoal e profissional. Ouça:

Parte 01

 

Parte 02

 

Aires deixou de atuar na rádio durante alguns anos, retornando em 2005 já fazendo parte das transmissões esportivas. “A gente começou a se dedicar bastante ao Criciúma, aos jogos da Larm, aos campeonatos regionais aqui e tal, e montamos uma equipe forte”, falou. Para Frozi, o trabalho realizado há mais de 20 anos fez com que a Marconi se posicionasse e tivesse mais credibilidade dentro do cenário esportivo catarinense. Além do esporte, Aires apresentou um programa musical durante 13 anos na emissora, mesclando músicas gaúchas com caipiras. “Aí em 2014 eu me aposentei, já estava com o meu tempo super ultrapassado já de contribuição. Eu estava com 57 anos e tinha 41 anos de contribuição”, contou.

Antes disso, em 2007, Aires já estava envolvido na política, tendo sido presidente do MDB durante alguns anos. “Eu estive dentro do partido durante 30 e poucos anos e sempre contribuí com o partido. Mas por quê? Porque gosta, porque quer ver a coisa ir se ajustando. Nós temos que, em alguns momentos, agradecer alguns políticos, porque graças a eles nós conseguimos algumas boas coisas”, falou, citando também sobre o seu envolvimento na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Urussanga. “Fui presidente durante seis mandatos. Mesmo não sendo presidente, eu estava dentro da diretoria, ou vice, ou tesoureiro”, contou.

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