Casos recentes de violência extrema contra animais em Santa Catarina reacenderam o debate sobre maus-tratos, abandono e a necessidade de políticas públicas mais efetivas de proteção animal. O caso de Orelha, um cão comunitário de Praia Brava, em Florianópolis, ganhou repercussão nacional e até internacional pela crueldade. De acordo com as investigações da Polícia Civil, Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro, sendo encontrado ferido e agonizando por pessoas que estavam no local. O animal foi levado para uma clínica veterinária e, no dia 5, foi submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. A suspeita é que um grupo de adolescentes seja o responsável por agredir o cão Orelha (saiba mais detalhes aqui).
Para defensores da causa animal, episódios como esse do cão orelha não são isolados. “São casos que chegam à imprensa pela maldade em si, mas tem muitos casos que as pessoas não ficam sabendo”, disse Alvaro Escaravaco, protetor animal há mais de 40 anos. “Está todo mundo triste e indignado com o que aconteceu em Florianópolis, e tem que se indignar mesmo e tomara que essa indignação surta algum efeito, mas isso é diário aqui em Urussanga”, afirmou o protetor, acrescentando que é comum casos de criadouros clandestinos que acabam descartando os animais. “O caso Orelha eu acho que Deus disse: perdão, mas esse caso tem que ser internacionalmente, nacionalmente conhecido para ter uma lei para diminuir a maioridade penal”, comentou Edsânia Tavares, da ONG Rede do Bem, em Cocal do Sul. “Quando um protetor tira um animal da rua, ele não está transformando só a vida do animal, é da população como um todo”, acrescentou.
A voluntária do projeto Coragem e Gentileza, de Criciúma, Angélica Manenti, destacou que o cuidado com os animais que vivem nas ruas é uma questão de saúde pública. “Quando a gente fala em vacinar, castrar, controlar a população, a gente está falando de zoonose. Então, para aquela pessoa que diz ‘ah, mas eu não gosto de cachorro, eu não gosto de animal’. Tudo bem, é direito não gostar, mas você precisa respeitar e entender que também é saúde pública”, reforçou. A protetora Elisângela Martins, de Urussanga, relatou que a sua casa é em uma rua sem saída e é comum que as pessoas abandonem animais no local. “O que está faltando no mundo é empatia, sentir a dor do próximo, sentir a dor do outro, inclusive do bichinho, toda vida importa, meu lema é esse”, afirmou. “Não podemos salvar o mundo, mas eu sempre digo assim, o pouco que a gente faz, soma, é um a menos que a gente terá na rua”, pontuou Lenir Zatta, que também é protetora.
Junto com Angélica no projeto Coragem e Gentileza, Jaque Medeiros também auxilia no cuidado com os cães comunitários de Criciúma. “A gente via eles sempre bem alimentados, sempre bem cuidados por lá e não fazia ideia. Quando a gente conheceu o projeto, a gente se identificou de imediato porque é um projeto composto por voluntários”, explicou. Para destacar mais sobre os projetos realizados na região, o programa Ponto de Encontro promoveu uma entrevista especial com os protetores animais. Eles destacaram os desafios recorrentes, o combate aos maus-tratos e a importância de ser voluntário na causa. Ouça na íntegra e conheça mais os projetos feitos na região:
Parte 01
Parte 02
Confira também a entrevista também em vídeo:



































