Lembrado em 24 de janeiro, o Dia Mundial da Cultura Africana e Afrodescendente reforça a importância de reconhecer e valorizar as contribuições dos povos africanos para a formação cultural do mundo, especialmente do Brasil. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2019. Para o escritor e pesquisador Rogério Andrade Barbosa, que também é professor de Literaturas Africanas, a data é de extrema importância, principalmente para os brasileiros. “Como é sabido, milhões de africanos foram trazidos para cá como escravizados, mas eles também trouxeram a sua cultura, os seus saberes”, destacou. Definindo o Brasil e as relações com o continente africano, Rogério citou a canção dos remadores do Rio São Francisco. “Eu sou branco, eu sou negro, eu sou indígena, eu sou brasileiro. Somos um povo miscigenado e, portanto, eu repito, que temos que ter orgulho de nossas raízes”, comentou.
A África é um continente, mas diversas pessoas se referem a ela como um só país. “A palavra chave para entender o continente africano é diversidade. São 54 países, são cerca de 2 mil idiomas, várias religiões praticadas”, disse. Rogério enalteceu que a cultura africana chegou em outros países e até hoje está presente. É o caso do jazz e do blues nos Estados Unidos, até o próprio samba no Brasil. “A presença também dos instrumentos, dos tambores, isso é muito forte em nossa cultura”, pontuou. O professor Rogério falou mais sobre a importância da cultura africana em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra e conheça mais detalhes sobre o tema:
Relacionado a sua área, Barbosa contou que a cultura africana está muito presente na literatura, principalmente a oral. “Contar histórias no continente africano é uma tradição muito forte porque é uma cultura predominantemente oral. Os escravizados, quando vieram para cá, trouxeram também as suas histórias, que se misturaram com as nossas histórias indígenas e com as histórias também trazidas pelos portugueses e outros imigrantes europeus. Então, essa presença da literatura oral africana aqui no Brasil é muito forte e está presente no nosso folclore popular”, esclareceu. Um tema muito abordado nesses contos é o uso de animais. “Por exemplo, animais pequenos, como o coelho e a tartaruga, nos quais eles sempre vencem animais maiores e muito mais fortes do que eles, como, por exemplo, um leão ou um elefante. São histórias que são transmitidas para as crianças e que procuram mostrar como se fosse uma lição, mostrar assim ‘olha, não importa que você seja pequeno e mais fraco, mas mesmo assim, graças à sua inteligência, você é capaz de vencer um oponente mais forte'”, detalhou.



































