Dor no corpo todo, cansaço extremo e aquela sensação de acordar já improdutivo, mesmo depois de uma noite inteira de sono. Esses são alguns dos sinais mais comuns da fibromialgia, doença que ainda gera muitas dúvidas e, em muitos casos, até preconceito. O assunto foi tema de entrevista no Ponto de Encontro com a reumatologista Izabela Guimarães, membro da Comissão Científica de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia e também da Comissão Multiprofissional.

Durante a conversa, a médica explicou que a fibromialgia é uma doença caracterizada principalmente pela dor, que pode surgir em qualquer parte do corpo. “Essa dor ela pode acontecer em qualquer lugar do corpo. Muitas vezes os pacientes descrevem como uma dor generalizada, em algumas situações como uma dor parece migratória, tipo num dia dói num lugar, no outro dia dói em outro, parece que essa dor vai migrando pelo corpo. E essa dor, ela pode ser em qualquer intensidade, desde a dor mais leve até períodos de dor intensa e incapacitante”, explicou a doutora.

Além da dor, a fibromialgia costuma vir acompanhada de outros sintomas, como cansaço e distúrbios do sono. “Pode ter dificuldade para a pessoa pegar no sono ou ela dorme, mas acorda várias vezes à noite e no final da manhã, quando ela acorda, no final da madrugada, ela tá cansada, como se ela tivesse trabalhado a noite toda. Então é o que a gente considera como um sono não reparador. E com tudo isso, é muito comum que esses pacientes acabem tendo sintomas de alteração de humor, como ansiedade e depressão”, ressaltou a reumatologista.

Segundo a doutora Izabela, o diagnóstico da fibromialgia é clínico e deve ser feito por um médico reumatologista. “Não existe nenhum exame de sangue, de imagem, que me mostre que o paciente tem fibro. Então, é um diagnóstico clínico mesmo, a gente pegando a história do paciente, fazendo o exame físico, alguns exames complementares para descartar outras doenças, mas não existe atualmente um exame de sangue ou de imagem que a gente faça e confirme esse diagnóstico”. Ouça a entrevista completa e saiba mais:

 

Sobre os fatores de risco, histórico familiar e hábitos de vida pouco saudáveis aumentam as chances de desenvolver a doença. Além disso, a fibromialgia costuma acometer mais mulheres do que homens. “O que se pensa hoje em dia, já tem estudos, é até a parte hormonal que pode estar envolvida em relação a isso”, comentou. No entanto, a doutora chama a atenção e faz um alerta para os homens.  “O homem geralmente ele tende a ser mais resistente, ele reclama menos, ele vai menos no médico também, mas homem também pode ter fibromialgia, é mais comum em mulher, mas não quer dizer que homens não possam ter dor crônica”, complementou.

Izabela Guimarães comentou ainda sobre a Lei nº 15.176, que trata da atenção às pessoas com dor crônica, incluindo a fibromialgia. “É um grande avanço, porque ela prevê essa visibilidade do paciente que sofre com a dor crônica. Então o que ela vai fazer? Ela preconiza um atendimento (com profissionais capacitados no âmbito do SUS, tanto médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos. Ela também vai incentivar a pesquisa da doença, a educação do paciente e dos seus familiares, além de incentivo à inserção no mercado de trabalho”, finalizou.