O lipedema é uma doença crônica, inflamatória e progressiva. Embora ainda seja pouco conhecida, a condição afeta principalmente as mulheres e é caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas, podendo atingir também os braços em alguns casos. “É aquela mulher que, mesmo sendo magra, tem um depósito de gordura bastante proeminente em coxa, em panturrilha, que tem sempre uma sensação de peso, de dor, de desconforto nas pernas”, explicou a ginecologista Bianca Pellegrin. Segundo a doutora, esse acúmulo de gordura continua mesmo se a mulher emagrecer. Em entrevista, a especialista explicou a diferença entre a obesidade, linfedema e o lipedema. A obesidade possui acúmulo de gordura em todo o corpo, enquanto o linfedema é uma doença linfática que causa inchaço nas pernas e nos pés. Já o lipedema costuma atingir as pernas e coxas, mas não afeta os pés.
De acordo com a ginecologista, o diagnóstico do lipedema é clínico. “Existem agora opções de exames de imagem para a gente avaliar esse depósito anormal de gordura, bioimpedância que faz uma análise de composição corporal e também que determina essa composição corporal em cada parcela do corpo. Ajuda no diagnóstico, mas ele é basicamente e principalmente um diagnóstico clínico, fazendo a consulta, conversando e o médico examinando essa paciente”, comentou, acrescentando que, com um diagnóstico precoce, é possível acompanhar a condição e evitar a progressão dela. “Se eu não vou atrás, a tendência é que a cada mês, a cada ano, eu tenha piora. E quanto pior é o quadro, mais difícil de a gente tratar e conseguir controlar”, destacou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com a doutora Bianca no programa Ponto de Encontro. Entenda:
Por ser uma doença que afeta principalmente as mulheres, a doutora Bianca afirmou que a condição tem relação com a parte hormonal. “Eu também tenho a parte genética interferindo, eu tenho estilo de vida, mas a parte hormonal interfere muito”, pontuou a ginecologista. “Tanto que, no tratamento dessa paciente, o que ela faz como método contraceptivo pode interferir no quadro clínico dessa paciente”, disse, complementando que, em alguns casos, as pílulas contraceptivas tradicionais podem piorar o quadro clínico do lipedema. “A gente tem que ter essa avaliação multiprofissional, essa avaliação sistêmica, para avaliar a paciente como um todo”, frisou. Além do acúmulo de gordura, o lipedema causa dor nas mulheres. “Esse depósito anormal, desproporcional de gordura, faz com que eu tenha, além de citocinas pró-inflamatórias em toda a atividade, um prejuízo na circulação. Então aquele vaso sanguíneo não consegue chegar de maneira uniforme e fazer uma distribuição dessa circulação uniforme. É tudo irregular, então a paciente que tem problema em circulação é a paciente que tem muita dor, muito desconforto, o tempo todo roxinho aparecendo nas pernas. Então não é só estético, causa muito prejuízo na qualidade de vida da paciente”, falou.
A ginecologista esclareceu que o tratamento do lipedema é multidisciplinar. Isso quer dizer que envolve a mudança de estilo de vida, priorizando a atividade física regular e uma alimentação balanceada. “Eu tenho diminuição desses sintomas de dor, de peso, de desconforto e tenho diminuição do processo inflamatório, que é uma característica muito marcante da doença”, frisou. Além disso, as terapias comportamentais também são recomendadas, como drenagem e o uso de meias de compressão para melhorar a circulação. “Em alguns casos, casos mais graves, casos mais avançados, existem algumas opções cirúrgicas. Mas é principalmente estilo de vida, essas terapias complementares multidisciplinares, avaliação das mediações em uso, avaliação do método contraceptivo, tratamento visando controle de peso e reduzir o processo inflamatório”, ressaltou.
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