As férias escolares estão iniciando e com elas vem o questionamento: como complementar a rotina das crianças e dos adolescentes sem as aulas? Para muitos jovens esse período acaba sendo marcado pelo uso excessivo das telas, seja o celular, tablet, televisão ou o computador. Porém, especialistas alertam as famílias para evitar esse tipo de comportamento, que é prejudicial para o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. “Infelizmente, a gente tem dados que indicam que 79% dos estudantes, das pessoas em idade escolar, dizem que os hobbies, as atividades mais prazerosas estão em atividades no celular, estão em atividade online”, destaca o psicólogo Alex Cambruzzi. De acordo com o especialista, a atividade online gera um disparo no sistema dopaminérgico, que regula a sensação de prazer. “Quando a gente tem ali na rede social, por exemplo, um feed que continuamente se atualiza, que troca a informação, que troca a foto ou um jogo que lança muitos estímulos visuais, tudo isso lá no nosso cérebro está gerando prazer, está estimulando a dopamina”, conta.
Quando as escolas adotam a prática de proibição do uso do celular, principalmente nesse ano com a aprovação de uma lei a nível nacional, elas estão estimulando a redução do uso de telas. Para o psicólogo, essa prática também gera uma redução do estímulo no sistema dopaminérgico, sendo benéfico para a concentração dos alunos durante o período de estudos. “O que tem preocupado um pouquinho os especialistas é que nesse período de férias a gente retroceda muito em uma coisa que tão insistentemente está tentando se trabalhar, que é essa desintoxicação das telas. Então, esse é um período em que os pais precisam também estar atentos para que os estudantes não migrem de volta para aquele comportamento anterior de passar horas e horas utilizando uma tela de celular”, fala. “Então a gente precisa, a gente necessita que seja uma fase onde haja relaxamento, descanso, onde existam atividades prazerosas, atividades lúdicas, elas não precisam ser o tempo todo, mas que exista uma significativa manutenção dessa diminuição do uso de telas, porque é um trabalho que a gente está construindo nessa nossa juventude, nesses nossos estudantes, nessas pessoas que estão em idade escolar”, reforça.
Por mais que o uso de telas estimule a área do prazer no cérebro, para Cambruzzi, não necessariamente a atividade gera prazer para as pessoas de forma contínua. Isso porque a ação cria uma dessensibilização para outras atividades que são prazerosas. “A pessoa está lá utilizando um joguinho, esse joguinho tem ali, continuamente, um excesso de estímulos visuais para dizer que ele fez ponto, para dizer que ele passou de fase, para dizer que ele ganhou e depois ele vai tentar buscar um prazer andando de bicicleta, andando de skate. Esse prazer da bicicleta, do skate ou de qualquer outra atividade que não seja especificamente na tela, leva um pouco mais de tempo até estimular essa sensação de prazer, até gerar essa sensação de prazer. Esse atraso, às vezes, faz com que o estudante, com que a criança e o adolescente não pratiquem mais a atividade, porque eles entram em anedonia, eles entram em desprazer e acabam preferindo manter o foco lá na tela, manter o foco lá no celular”, alerta.
Cambruzzi salienta que existe algumas atividades que podem ser praticadas em família durante esse período de férias. “Eu tenho estimulado muito, nas orientações lá no consultório, para que a gente volte a desenvolver o que nós chamamos de inteligência naturalística. A inteligência naturalística é esse contato com a natureza”, diz. “Uma leve caminhada, uma leve passagem em um parque, um leve sentar em um banco de uma praça, isso tudo está estimulando diversas regiões do nosso cérebro que vão dar uma sensação de bem-estar e que estimulam o desenvolvimento dessa inteligência naturalística. Todo tipo de contato que nos afasta um pouco da tecnologia, agora, é um contato que é bastante proveitoso e que nós deveríamos apostar um pouco na nossa sociedade em tentar estimular. O andar de bicicleta, o skate, qualquer atividade que seja ao ar livre, estimula bastante esse desenvolvimento da inteligência naturalística”, comenta. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista, ouça:
Atividades como jardinagem e brincadeiras com jogos de tabuleiro e baralho também são indicadas por Alex. “Cria junto com o seu filho uma lista de experiências que você gostaria de ter durante essas férias. Você não precisa fazer com que as férias sejam continuamente prazer, esse não é o objetivo. Mas tenta ver com a criança, tenta ver com o adolescente, qual seria a lista de experiências que vocês gostariam de fazer durante essa fase. Gostariam de visitar algum lugar? Gostariam de fazer alguma prática? De alguma atividade? E tenta contemplar durante esse período. Então, a gente tira esse óbvio que é recorrer ao celular e achar que ele é somente uma via prazerosa, e começa a estimular a criatividade, começa a estimular o pensamento crítico, começa a trazer essa manutenção, coleta e planejamento de bem-estar”, fala. Cambruzzi ainda recomenda que, nesse período, as crianças e adolescentes tenham acesso às telas, principalmente o celular, durante uma hora por dia. Além disso, é orientado fazer a higiene do sono: parar de mexer no celular 40 minutos antes de dormir e mexer nele somente 40 minutos depois de acordar.



































