O uso excessivo de telas afeta todas as pessoas, principalmente no desenvolvimento das crianças. O psicólogo Lucas Freire explica que há quatro principais prejuízos. “O primeiro é em relação à atenção. A atenção das crianças e dos adultos também fica comprometida com o uso abusivo de telas. A privação do sono é um deles e a porta de entrada para vários tipos de doenças, além de perdas também relacionadas ao aprendizado, à cognição. A gente tem também a perda de habilidades sociais, dificuldade de socialização, de aprender habilidades, de entrada e saída de grupos. E a gente tem o vício, porque todos esses modelos são criados para capturar a nossa atenção e são altamente aditivos, viciantes”, pontua.
Conforme Lucas, a exposição precoce às telas gera uma série de perdas. “Principalmente em relação ao desenvolvimento de habilidades, habilidades de aprendizado, das diferentes formas de raciocínio, raciocínio espacial, raciocínio numérico. Então, a gente tem uma série de prejuízos, fruto principalmente dessa exposição precoce em janelas que seriam importantes para determinados tipos de aprendizado e estão sendo ocupadas pelo uso de telas de forma abusiva”, afirma. O assunto foi abordado em entrevista no Ponto de Encontro com o psicólogo. Ouça:
Para o especialista, crianças a partir da geração Z já vivem mudanças significativas no desenvolvimento por conta do uso de telas. “Há quem diga que a geração Z foi a que participou de um experimento social não controlado, porque ela passou por duas grandes mudanças fundamentais”, ressalta. A primeira, segundo Lucas, foi a redução brutal do brincar livre não supervisionado, ou seja, as crianças se tornaram superprotegidas e passaram a ficar mais em casa; e a segunda foi que, a partir dos anos 2000, houve o crescimento dos celulares e das redes sociais, aumentando essa exposição. “A consequência disso a gente já sabe. É uma geração que não desenvolveu habilidade de frustração, é uma geração que teve um índice de adoecimento mental muito grande, principalmente de transtornos de ansiedade, depressão, fruto dessas mudanças que são chamadas por alguns autores de psicologia de reconfiguração da infância, uma infância que sai da base do brincar para a infância baseada no celular, em especial a geração Z”, diz.
Para garantir que a criança tenha um desenvolvimento saudável, é fundamental que os pais ou responsáveis fiquem atentos ao tempo de exposição às telas. Conforme Lucas, a principal recomendação é retardar ao máximo a apresentação das telas aos filhos, principalmente quando são pequenos. Evitar as redes sociais também é um importante ponto, principalmente as que possuem vídeos que fazem a pessoa “scrollar” o feed. Além disso, é recomendado que as crianças assistam desenhos de baixo estímulo. Conforme o psicólogo, vários estudos indicam que o cérebro de alguém dependente das telas é parecido com quem tem dependência química. “Você vai ver reações como irritabilidade, uma busca desenfreada por aquilo ou até mesmo uma perda, que é algo muito triste, uma perda do estímulo de coisas que elas gostavam”, afirma.
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