O interesse pelo esporte era singelo. Até 2019, o único esporte praticado por André Dias, morador de Urussanga, era o futebol. Com o começo da pandemia de Covid-19, a vida de André mudou muito. Na época, o urussanguense passou por duas perdas de pessoas próximas. Segundo ele, o processo do luto foi agressivo, já que era necessário o uso de muitos remédios. “Eu estava inchado, além de estar sempre meio sonâmbulo por causa da medicação. Então, naquele período, eu disse não, tenho que fazer alguma coisa para mudar minha vida, eu nunca gostei de estar assim e não era naquele momento que eu ia estar. A partir daí, eu comecei a fazer caminhadas noturnas. O que eu tinha no pensamento? Que se eu cansasse o corpo à noite, eu conseguiria dormir sem remédio”, relembra André.

A partir daí, André começou a caminhar após às 22 horas, andando até cansar. “Da caminhada, começou a rotina de corrida, mas isso tudo de forma amadora. E depois entraram os amigos, aí os amigos me abraçaram realmente, eles estavam ali em volta, sempre junto comigo”, comenta. “Mas depois desse período de melhora, eles entraram com força, daí me colocaram realmente na corrida, me auxiliando nos treinos, e bike também, então são os dois esportes que até hoje eu sigo como tratamento”, acrescenta o urussanguense. Em meados de 2022, André ingressou em uma assessoria especializada em corrida, intensificando ainda mais a habilidade.

O assunto foi destaque em entrevista no programa Ponto de Encontro com André, que falou mais sobre seu interesse pelos esportes e os campeonatos que já participou. Ouça na íntegra:

 

No final do ano passado, o urussanguense realizou o sonho de participar da corrida de São Silvestre. Recentemente, André participou de uma prova na Serra da Canastra, em Minas Gerais. A recomendação de fazer essa prova aconteceu durante a participação da São Silvestre, no qual André conheceu outros corredores. “Eu viajei na quarta-feira passada, a prova foi quinta, sexta e sábado. Três etapas, eu me inscrevi na categoria solo, 50 quilômetros, e lá fui com o propósito de concluir a prova ali entre os top 20. Mas me preparei, usei uma prova da serra aqui, o Rio do Rastro Marathon, como treinamento”, explica. “Foi sensacional, Serra da Canastra outro ambiente, clima cerrado, o terreno totalmente diferente do que a gente está acostumado, a prova foi praticamente trail, praticamente trilha mesmo, estradas de serra”, acrescenta.

Conforme André, a prova da Serra da Canastra contou com muita altimetria, subidas e descidas difíceis. “Primeiro dia foi 10,5 quilômetros, foi onde eu estava mais ansioso, saí muito errado os dois primeiros quilômetros ali”, conta. “Eu usei esse primeiro dia como experiência, mas na hora de pegar o resultado, eu vi que dentro da trilha eu estava muito bem”, complementa. “Na segunda etapa, eu cheguei em sétimo no geral”, afirma. “O terceiro dia foi lindíssimo então, um dos mais duros, deu 14,5 quilômetros, passamos por dois rios e uma cachoeira lindíssima, algo assim que foi deixado para o último dia para ser satisfatório”, destaca André.