Há 19 anos o repicar dos sinos da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição anunciava o falecimento de Monsenhor Agenor Neves Marques. O dia 31 de agosto de 2006 sempre estará marcado na história de Urussanga, assim como todos os feitos que o sacerdote fez pela cidade e por toda a região. A Rádio Marconi e o Paraíso da Criança foram fundados pelo Monsenhor e possuem seu legado até hoje. “Quando se fala em Urussanga, mesmo hoje, está a memória do padre Agenor, que nunca vai morrer. Ele morreu fisicamente, mas espiritualmente, seus atos e tudo continuará vivo por todo o tempo que for necessário”, salientou o padre Orlando Cechinel, que atuou como coadjutor na paróquia junto com Agenor.

Rosa Miotello, que ajudou Monsenhor na apresentação do programa Andorinha Mensageira, relembrou dos últimos momentos dele. “Como ele dizia, nasceu na guerra, em 1914, ordenou-se na guerra, em 1940, e falava que provavelmente morreria na Terceira Guerra. Eu sempre falo, não morreu na Terceira Guerra, mas morreu em uma guerra pessoal, de sofrimento. Perdeu a voz naquele ano em que ele faleceu, com tantos problemas de saúde, as cordas vocais foram secando. Então a gente conversava com ele e os olhos é que conversavam com a gente naqueles últimos tempos”, comentou. Padre Orlando ainda contou que, na época, celebrou mais de cem missas aos domingos a pedido de Monsenhor. “Até na enfermidade a gente colocava uma estola em cima dele, que ele não tinha mais força, e celebrava aí no quarto. A gente deu toda a assistência, também quando era para confessar, ele se confessava comigo”, disse.
A primeira paróquia que Orlando atuou após ser ordenado foi a de Urussanga. “Foi um testemunho muito bonito do padre Agenor que eu recebi nos meus primeiros anos de padre. Só tenho que agradecer a Deus”, falou. Padre Orlando também se recordou que, ao sair do seminário, alguns colegas já falavam sobre o trabalho que Monsenhor realizava, além de sua inteligência. Segundo Orlando, a biblioteca do Vaticano possui o livro “O Catequista Ideal”, primeira obra escrita por Monsenhor. “Ele era muito respeitado, era político e religioso, mas um homem cheio de força”, salientou. “Uma coisa que eu aprendi, que ele sempre dizia, é que o padre está a serviço do povo, o padre tem que atender o povo, o padre tem que visitar o povo, o padre não pode ficar preso em coisa. É uma atitude bonita que aprendi. Na hora da mesa, eu via com meus olhos, batia a campainha, ele largava o prato de comida e ia atender quem chegou”, recordou. Ouça mais detalhes na entrevista:
Parte 01
Parte 02

Rosa contou que Monsenhor nasceu em Palhoça e iniciou os seus estudos no seminário em Florianópolis. O sacerdote também passou por Azambuja e São Leopoldo, tendo chegado a Urussanga poucos anos depois de ordenado. “Homem que escrevia muito. Acordava cedo, cinco horas da manhã já tinha tomado banho, já estava sentado na mesa de trabalho, trabalhando, escrevendo, tanto que são muitos os livros que ele escreveu. Eu sempre comento que ele era muito repentista, sentava e escrevia rapidinho um poema”, pontuou Rosa. “Ele também foi o primeiro secretário de Educação aqui no município de Urussanga. Como não havia bandeira, brasão, enquanto secretário, ele criou a bandeira, que foi aprovada pela Câmara Municipal, fez o hino e o brasão de Urussanga. Com isso, os municípios aqui da região começaram a pedir para ele fazer os hinos sobre os municípios. Então tem mais de 15 municípios que o hino é de autoria do padre Agenor”, relembrou. Confira a entrevista:
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Geraldo Custódio, comunicador da Rádio Marconi, também lembrou os momentos que passou com o Monsenhor. “Conheci ele ainda menino, quando eu ia à igreja com meus pais e ele pedia que todas as crianças sentassem ao lado do altar. Ele fazia questão que as crianças, os pequeninos, estivessem sempre ladeando ele ao lado do altar”, afirmou. Agenor morreu aos 91 anos de idade. “Eu não esqueço, um dia que Urussanga ficou de luto, amanheceu entristecida e assim ficou por três dias. A Marconi, por três dias, tocou música instrumental. Foi uma coisa assim que tinha um ar fúnebre em cima da cidade porque a morte do Monsenhor, para nós, significou muito”, comentou. Ouça também:







































