O prefeito de Cocal do Sul, Fernando de Fáveri, que está afastado do cargo desde 19 de junho, conseguiu sua liberdade. Na decisão dessa quinta-feira, dia 18, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) através do desembargador Sidney Eloy Dalabrida determinou que a prisão preventiva fosse substituída por medidas cautelares.

Na véspera de completar um mês detido no Presídio Regional de Criciúma, o Santa Augusta, de Fáveri deixou a prisão, porém uma série de medidas deverão ser observadas, entre elas: não poderá retornar ao cargo de prefeito imediatamente, bem como acessar as dependências da prefeitura. O contato com testemunhas e denunciados envolvidos no processo também está proibido. Fernando ainda não poderá sair dos limites da comarca por mais de três dias sem autorização da justiça.  O prefeito afastado deverá comparecer a todos os atos processuais e manter endereço atualizado.

Próximo das 22h, acompanhado por seu advogado doutor Marcos Rinaldo Fernandes Plácido, Fernando de Fáveri foi recepcionado em frente à sua casa por familiares e amigos. A reportagem da Rádio Marconi esteve no local e acompanhou as primeiras palavras após a liberação.  Em um trecho, enquanto falava para as pessoas, Fernando disse que soube de sua soltura através da Rádio Marconi. Ele contou que mais cedo deu um problema na cela onde estava com outros presos, com os rádios todos pifando. No entanto, durante um momento de oração, entrou o som da Marconi na hora que estava sendo noticiada a sua liberdade. Ouça o trecho abaixo:

 

Os comunicadores Edi Carlos e Joel Bernardo entrevistaram o doutor Marcos Rinaldo durante a cobertura especial. Confira a entrevista completa:

 

Ainda segundo apurado pelo jornalismo da emissora, o servidor Gustavo da Silva de Melo, que também havia sido preso preventivamente na Operação Fundraising, foi liberado na noite de ontem (18). A informação foi confirmada pelo seu advogado de defesa Adriano Galvão.

Relembre o caso

Na manhã do dia 19 de junho, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e o Grupo Especial Anticorrupção (Geac), em apoio à investigação conduzida pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do Ministério Público de Santa Catarina, deflagraram a segunda fase da operação “Fundraising”.

A operação buscou desarticular possível organização criminosa, capitaneada por grupo empresarial, suspeita de praticar ilícitos contra a Administração Pública, especialmente o desvio de recursos públicos e fraudes em licitações, e que, em suas ações, estaria buscando recrutar agentes públicos e particulares com o fim de obter ganhos ilícitos em prejuízo ao patrimônio público.

De acordo com a investigação, o grupo criminoso atuaria com a finalidade de direcionar processos licitatórios em diversos municípios do Estado. Sob o pretexto de prestar serviços de consultoria e de assessoramento para captação de recursos públicos, buscava firmar contratos públicos sem que houvesse necessariamente a comprovação de qualquer atividade, mas que serviria de subterfúgio para que servidores públicos, assim como agentes políticos e particulares, auferissem ganhos ilícitos por meio do recebimento de vantagens indevidas.

FUNDRAISING  

A operação foi intitulada com “Fundraising”, expressão em inglês que se refere a uma metodologia que visa desenvolver processos para facilitar a captação de recursos. Na primeira etapa, deflagrada em setembro de 2023, 16 mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelo GAECO em Florianópolis, Itajaí, Blumenau, Gravatal e Brasília.