A esporotricose, conhecida também como doença do jardineiro, é causada por um fungo presente no solo, nas plantas e em matéria orgânica em decomposição, no geral. As pessoas podem pegar a doença através do manuseio da terra caso estejam com feridas e cortes nas mãos, por isso a indicação é sempre usar luvas nessas atividades. Porém, animais também podem ser infectados com o fungo, principalmente os gatos que têm acesso às ruas. De acordo com a médica veterinária da Agropet Dandolini, Brenda Lagarreta, o assunto deve ser tratado como sendo de saúde pública. Recentemente, em Urussanga, alguns gatos foram infectados com a esporotricose, por isso a necessidade de alertar mais sobre o que é a doença.
Segundo Brenda, os gatos têm o hábito de afiar as garras em árvores e cavar para esconder as fezes. Isso facilita a infecção pelo fungo. “Outra forma que é mais presente aqui em Urussanga, é através do ferimento na pele, seja causado durante brigas com outros gatos ou qualquer outro ferimento que seja uma porta de entrada para esse fungo”, explica. “Os animais adultos, aqueles que não são castrados especialmente, e que têm acesso à rua, eles geralmente têm o hábito de briga, seja por território ou por disputa por uma fêmea. Então, esse animal briga, contrai o fundo de outro animal, e aí aquilo vira um ciclo, porque é um animal que está na rua e com certeza vai transmitir para outros gatos. A castração é uma opção que diminui a agressividade desses animais, consequentemente diminui as brigas e também as transmissões”, acrescenta.
A veterinária destaca que há alguns sinais que servem de alerta para saber se o gato está infectado com a esporotricose. “Todos os casos que eu recebi, a reclamação é sempre a mesma: ‘o meu gato sempre aparece com ferida de briga, mas dessa vez ela não cicatrizou’. Então, o principal sintoma, o mais visível são as feridas na pele que não cicatrizam, geralmente com secreção, inchaço e crostas, que depois aquilo vira uma ferida enorme, fica com secreção, fica pingando sangue, é uma ferida aberta realmente, é uma ferida feia, não sara nunca”, esclarece. Brenda ainda salienta que essas feridas são sempre nas extremidades do corpo do gato, ou seja, cabeça, membros e cauda. “Elas podem, sim, também afetar órgãos internos do animal, então, o animal pode ter dificuldade respiratória e consequentemente ir a óbito por causa dessa doença”, frisa.
Não há vacinas para prevenir a doença. A principal forma de prevenção é evitar que o gato tenha acesso às ruas, que é onde acontece a infecção. O assunto foi abordado em entrevista, saiba mais:
Nos humanos, além da infecção no contato com a terra sem luvas, também é possível pegar a doença através de um animal infectado. Segundo Brenda, é fundamental também usar luvas ao tocar em um gato com a esporotricose. “Como as pessoas não sabem, não conhecem a doença, tem muitas pessoas que seguem com o hábito normal de dormir com aquele animal na cama, de realmente estar em contato direto com aquele animal. Por isso, é tão importante a gente conhecer a doença para quando identificar essas feridas, já deixar aquele animal ali em isolamento para que não ocorra esses acidentes”, salienta.
O diagnóstico da doença é feito através de uma análise completa do animal e de seus hábitos. Brenda também explica que o caso é confirmado por um exame laboratorial, que é feito a partir de uma coleta de amostra de uma lesão. Em alguns casos, é solicitado um exame de sangue para avaliação da condição geral do animal. “O tratamento é feito com medicamentos antifúngicos, administrados via oral. Em alguns casos também eu recomendo pomadas antifúngicas”, conta. “A duração do tratamento é extremamente longa, é de três a seis meses tomando essa medicação todos os dias”, afirma Brenda. “É importante que o tratamento seja feito até o fim. Muitas vezes, as pessoas começam a tratar e, dali um mês e meio, já somem as feridas, mas isso não é o suficiente para fazer com que o fungo realmente seja eliminado, então é importante fazer o tratamento completo por mais que não haja mais feridas”, reforça a veterinária.
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