O câncer de colo de útero é provocado pelo Papilomavírus Humano, o HPV, transmitido através das relações sexuais, e pode ser prevenido. De acordo com a ginecologista Bianca Bez Batti De Pellegrin, estima-se que, depois de cinco anos após a primeira relação sexual, cerca de 80% das mulheres entrem em contato com algum tipo de vírus do HPV. “Existem diferentes subtipos, aqueles que causam lesão benigna, lesão tipo verruga, e aqueles que causam lesão maligna, que é o câncer de colo de útero, câncer de vagina, câncer de vulva”, salienta. Além da vacinação contra a doença, o uso de preservativos é fundamental para evitar o contato com o vírus.
Segundo a especialista, o exame preventivo é importante para identificar lesões no colo do útero causadas pelo HPV. “São lesões que podem um dia se tornar um câncer, lesões que têm um baixo grau ou um alto grau de, um dia, se tornar câncer. Então, eu consigo identificar essa lesão antes mesmo dela ser visível e antes mesmo de virar um câncer”, destaca Bianca. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com a doutora, ouça:
A doutora ainda ressalta que, em muitos casos, os sintomas do câncer de colo de útero aparecem somente em estágios mais avançados. Por isso, a importância de se consultar anualmente com um ginecologista para a realização dos exames preventivos. “Lembrando que, quanto mais cedo eu identificar, mais fácil de resolver e menos invasivo será o tratamento”, explica. “O grande mito que a gente tem que quebrar é que eu tenho que esperar sentir alguma coisa para procurar o médico, que ir ao médico é procurar doença. Não, é procurar saúde, qualidade de vida, eu quero viver 80, 90 anos com qualidade, viver bem, então eu tenho que buscar a minha saúde”, complementa.
O câncer de colo de útero é mais incidente em mulheres em idade reprodutiva. Por isso, o tratamento da doença depende de alguns fatores. “Às vezes eu tenho uma paciente que não tem filhos, que quer ter filhos, aí vai começar a fazer os exames. A gente já tem uma lesão que teria uma indicação de tirar o útero, por exemplo, aí o que eu vou fazer? É uma situação difícil”, conta. “Então, o ideal é que eu tenha uma rotina de todo ano, mesmo sem sentir nada, mesmo que eu não tenha nenhum objetivo de gestação agora recente, fazer essa rotina, para saber que está tudo certo e, quando eu pensar em ter filho, eu sei que está tudo bem”, comenta.
A doutora Bianca também esclarece que existem diversos tipos de tratamento da doença. “A gente tem a cauterização, que seria queimar a lesão conforme o estágio. A gente tem conização, que é tirar um pedacinho, um cone, uma tampinha do colo do útero, então eu preservo o colo do útero, eu preservo o útero da paciente, pensando em mulher jovem que um dia vai querer ter filho, preservo a capacidade de gestar futura. Estágios mais avançados: retirar o útero, é uma cirurgia um pouco mais ampla, que não é apenas retirar o útero, a gente tira também outros órgãos que ficam em volta do útero. Casos mais avançados, quimioterapia, radioterapia. Então, tudo vai depender de onde a paciente está no avanço da doença”, afirma.
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