Mesmo com o avanço da tecnologia e com a criação de ferramentas que auxiliam na acessibilidade, a educação inclusiva ainda é um desafio no Brasil. Para o professor Francis Guimarães, especialista na área, a educação inclusiva ainda não chegou em sua excelência. “Para que a gente tenha uma educação de fato inclusiva, a gente precisa iniciar pela base, e a base é a formação, a qualificação dos professores”, destaca. De acordo com Francis, que é cego totalmente desde os 18 anos, a pauta precisa ser discutida em sala de aula mesmo que não haja alunos com deficiência. “Nós podemos transformar o mundo a partir do momento que a gente começa a formar as crianças, porque as crianças têm muita clareza e elas lidam de forma muito natural com as diferenças”, reforça.
Francis conta que seu pai também era cego. “Teve desafios muito maiores do que os meus, tanto para estudar quanto para trabalhar. Hoje, com o smartphone, com um computador, por exemplo, eu, enquanto pessoa cega, consigo ler o jornal, consigo saber qual é o valor da cédula que eu tenho na mão, porque existe aplicativo que faz isso. Eu posso escrever uma redação, um texto, um livro, se eu quiser, eu posso navegar em todo o ambiente web, eu consigo, enfim, trabalhar utilizando o computador. Um aluno em sala de aula pode receber as suas provas em PDF, em TXT, em qualquer formato, que não seja formato imagem, e fazer, realizar essa prova”, destaca. “Também é um desafio, muitas vezes, que os educadores saibam utilizar essas tecnologias”, complementa. Para o especialista, muitos professores não conseguem acompanhar o desenvolvimento da tecnologia, deixando de utilizar as ferramentas para os alunos que precisam delas. O tema foi destaque em entrevista, ouça na íntegra:
O professor relembra de uma situação que ocorreu quando estava no sexto ano do fundamental. Na época, ainda não era cego, mas possuía dificuldades de enxergar por conta da sua doença. “Em uma aula de matemática, eu ouvi de um professor que não tinha obrigação de me dar aula e não era importante eu estar ali, porque eu não enxergava e ele não sabia como me ensinar. Naquele momento, eu era adolescente, eu estava em um período de transição entre enxergar e não enxergar mais, eu tinha um pouquinho de visão e estava sendo um momento muito difícil para mim. Ali, eu sofri, eu saí da sala, eu cheguei em casa e eu pensei: ‘se eu conseguir estudar, se eu conseguir sair de uma sala de aula, eu vou ser professor e vou ajudar outras pessoas cegas. E foi isso que aconteceu'”, salienta Francis.



































