Com mais de 147 anos de fundação, milhares de pessoas que já passaram por Urussanga guardam alguma lembrança da cidade. Seja da cultura, da tradição, dos costumes, das paisagens ou dos amigos, Urussanga é lembrada por muitos, até mesmo por quem já deixou o município para viver um novo ciclo da vida. No dia 6 de outubro, Urussanga completou os seus 125 anos de emancipação político-administrativa, quando deixou de fazer parte de Tubarão para se tornar independente. Para relembrar e também contar histórias de pessoas que já passaram pela cidade, o programa Ponto de Encontro realizou uma entrevista especial com Cícero Bortoluzzi. Ouça na íntegra:

 

Hoje com 77 anos e morando em Florianópolis, Cícero é geólogo e viveu sua infância em Urussanga junto com sua mãe. Embora suas vivências tenham ocorrido aos 6 anos de idade, Cícero se recorda de muitos momentos. “Nós morávamos na rua que saía da prefeitura antiga, ali na praça e ia em direção sul”, contou. “Eram nossos vizinhos o seu Atílio Damiani, o seu Possenti e o Lydio De Brida e, em frente à praça, a dona Madalena”, recordou. Nas memórias de Cícero está o momento em que ele visitava os seus avôs, Francisco e Maria, que moravam em uma das esquinas da praça. “Eu tinha que ir da minha casa até a casa do meu avô. O seu Possenti tinha um pequeno cachorro que era agressivo e, não sei se ele percebeu que eu tinha medo do cachorro, ele sempre tentava me atacar quando eu passava ali e uma vez ele conseguiu. Isso foi uma coisa meio hilária que me marcou”, disse.

Em entrevista, o geólogo também se recordou de momentos que passou com sua família. Um desses momentos foi com seu tio Cláudio, que o levou na casa de alguns parentes no bairro Rio América. “Lá tinha um charco e tinha muita rã. O que nós fazíamos? Nós pescávamos as rãs, umas cinco ou seis, e fritávamos e comíamos com polenta no jantar. Esse foi um episódio, assim, também que me marcou bastante”, contou. “Um outro episódio que aconteceu comigo também em Urussanga foi que a minha mãe tinha uma amiga dela que morava ao lado do cemitério antigo atrás da igreja. Ela ia visitar essa amiga dela algumas vezes à noite e, para voltar, para encurtar o caminho de volta para a nossa casa, ali na igreja, tinha uma escadaria que ia da rua de baixo até a parte plana da igreja em cima. A gente subia por ali para cortar espaço, só que tinha um cemitério ali e eu tinha um medo terrível de passar por ali à noite com o cemitério”, acrescentou.

Cícero ainda contou o porquê decidiu cursar geologia. “Eu já tinha, naquela época, um geólogo que era primo meu, o Carlos Bortoluzzi, e eu sempre gostei muito de interior, de terra, de mato e coisa e tal. Depois, lá fazendo o curso científico, o terceiro ano era um curso dirigido já para o tipo de vestibular que você ia fazer. Então, nesse curso tinha história natural, matemática, física e química. E história natural abordava todos esses temas relacionados a geologia”, comentou. “Eu fiz o curso de geologia pura, mas a minha especialidade é uma geologia ligada à engenharia civil. O que nós fazemos? Nós fazemos investigações, obtemos as características dos materiais e tudo, mas para emprego na engenharia civil”, explicou ainda.