A contaminação por metanol em bebidas destiladas tem preocupado pessoas no Brasil inteiro. Até esse domingo, dia 5, o Ministério da Saúde apontou 225 casos de intoxicação por metanol após ingestão de bebidas alcoólicas, entre investigados e confirmados. De acordo com o doutor Raul Queiroz, médico clínico geral, a substância não deveria estar em nenhum produto consumido. Segundo o especialista, o metanol é processado pela mesma enzima que metaboliza o etanol, que é o álcool. “Só que o que ele gera depois dessa etapa de fermentação, de metabolização, é o ácido fórmico, que é uma substância que interfere na produção de energia das células”, disse. Nesses casos, o sistema nervoso central é o primeiro a ser acometido pela intoxicação, afetando, inclusive, as células da retina.
Os casos de contaminação ainda estão sendo investigados. Ainda não se sabe o real motivo da intoxicação, mas os investigadores já trabalham com algumas hipóteses, segundo Raul. Uma das suspeitas é a fabricação de bebidas sem regulação, além da possível contaminação proposital. Há também a possibilidade de estar sendo usado a substância para a higienização das garrafas para as adulterações. “Inicialmente, os sintomas são bem parecidos com o do consumo das bebidas alcoólicas. Você pode ter náusea, pode ter vômito, pode ter um pouco de dor abdominal, dor de cabeça”, explicou, completando que a intoxicação leva algumas horas para ocorrer. Segundo o doutor Raul, os sintomas tendem a piorar entre 6 e 72 horas após a ingestão do metanol. “Pode ter gente que começa a ter até dificuldade para enxergar, começa a perder um pouco da visão, confusão mental”, detalhou. Ouça mais detalhes sobre o assunto:
Conforme o especialista do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, um dos problemas é não ser possível identificar se uma bebida está contaminada com metanol. “A recomendação atual está sendo evitar o consumo de destilados, que está sendo a bebida mais acometida, justamente porque não muda nada no aspecto da bebida, ela não tem cor, não tem cheiro, não tem sabor, ela só pode ser detectada por testes laboratoriais”, salientou. “A gente tem recomendações, assim, de ver o lacre da bebida, se ela está bem lacrada, se ela não está sendo vendida a um preço muito inferior no mercado, se ela não tem nada que chame a atenção para essa bebida estar alterada. Mas ainda assim, está acontecendo em bares e até em bares conhecidos, bares classe média, classe alta. Então a gente recomenda, realmente, evitar o consumo”, reforçou.



































