Boca torta de maneira súbita, fraqueza em um dos lados do corpo e dificuldade para falar e entender. Estes são os principais sintomas que indicam um Acidente Vascular Cerebral (AVC). De acordo com a doutora Carla Heloisa Cabral Moro, neurologista vascular da Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), é necessário buscar atendimento médico imediatamente ao perceber algum desses três sintomas. “Esses sintomas podem durar algum tempo, pode ser transitório e durar minutos. Mas sempre deve ser encarado como uma emergência”, destaca a especialista.

Além desses três, que são os mais comuns, ainda há outros sintomas, mas que não são tão frequentes. “Sempre que você tiver um achado súbito, que envolva então uma força muscular, uma alteração visual, que envolva alteração de equilíbrio, tontura, sempre pensar que pode ser um AVC”, ressalta Carla. Ao chegar ao hospital, é necessário saber qual tipo de AVC que o paciente está tendo através de uma tomografia de crânio.

Conforme a especialista, o AVC envolve dois tipos: o sangramento cerebral ou a oclusão de uma artéria. “Se é um sangramento o tratamento pode ser até uma cirurgia para tirar esse sangramento, esse coágulo. Se for uma oclusão, essa artéria tem que ser desentupida, e ela pode ser desentupida de uma forma química, com a medição venosa, ou ela pode ser desentupida com um cateter”, explica a médica neurologista, que atualmente é coordenadora da Unidade de AVC do Hospital Municipal São José, em Joinville.

O assunto foi abordado em uma entrevista especial com a doutora Carla durante o programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra:

 

A principal causa do AVC é a pressão alta, representando 70% dos casos registrados. Além disso, existem outros fatores de risco, como a arritmia cardíaca, diabetes e colesterol alto. “Esses são riscos que a gente chama de controláveis”, reforça a especialista. Existem também os fatores de risco modificáveis, ou seja, a pessoa pode controlar eles. Não fumar, praticar atividades físicas e reduzir o peso, em casos de obesidade, são alguns pontos que diminuem o risco de AVC. “Seriam, basicamente, os hábitos saudáveis”, ressalta. Há causas genéticas em casos de AVC, no entanto, são muito raras.

O AVC é uma doença que gera muitas sequelas, principalmente físicas, como fraqueza muscular nas pessoas. Outra sequela é a cognitiva, na qual as pessoa têm dificuldade em funções laborais, como no raciocínio, linguagem e outras características. Para a especialista, o sistema de saúde ainda peca na reabilitação das pessoas que sofreram o AVC. Isso porque é necessário vários profissionais além da fisioterapia para a reabilitação do paciente. Psicólogos, nutricionistas e fonoaudiólogos são alguns especialistas que devem auxiliar uma pessoa a se reabilitar do acidente como uma equipe multidisciplinar.

Além disso, doutora Carla ressalta que o AVC é uma doença da sociedade. “Ela é uma doença presente nas nossas vidas. Uma a cada quatro pessoas vai ter um AVC ao longo da vida no mundo”, comenta. “Esse alguém vai deixar de trabalhar ou exercer alguma atividade. O AVC leva o empobrecimento da sociedade, empobrecimento das famílias, disfunções familiares. É uma doença que tem que ser evitada”, reforça. “90% dos casos de AVC podem ser evitados com duas coisas simples: alimentação saudável e atividade física”, frisa.

SBAVC

É a principal Sociedade Médica com representatividade brasileira que reúne profissionais (médicos, neurologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, etc.) com interesse especial no estudo, pesquisa e assistência ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). Atua de forma alinhada com o Departamento Científico de AVC da Academia Brasileira de Neurologia.

O foco principal são as ações de educação, prevenção, tratamento e reabilitação de pacientes com AVC, uma das principais causas de morte e incapacidade permanente em nosso país.